(..)Entendo que a escola é espaço coletivo de construção e de interpretações de conhecimentos que circulam por toda parte. Nela é possível realizar ponderações mais sistematizadas em torno de saberes difundidos fora dela; território de disputas em que se seleciona e se promove a publicização de determinados temas com objetivos de aprendizados específicos; e é, enfim, espaço de (re)elaboração e devolução coletiva de conhecimentos pelas experiências dos sujeitos envolvidos. Tudo isso requer do professor um compromisso muito grande nas várias atividades didáticas, no cuidado com o material que será utilizado como fonte de discussões e na divulgação do que foi compartilhado. ROVAI, Marta Goveia de Oliveira, Revista História Hoje. Vol. 8, n º 15, p. 89-110, 2019. Com base na citação, podemos perceber que o professor é um pesquisador que leva o debate do cotidiano para os alunos em sala os quais usam das suas experiências para elaborar coletivamente os conceitos da ação do seu tempo. Logo, esse debate com os saberes fora da escola é chamado de:
- A)conhecimento histórico.
Errada, porque conhecimento histórico é um conceito amplo e não nomeia a prática de dialogar com saberes que circulam fora da escola.
- B)história pública.
Certa, pois história pública trata da circulação e da ressignificação de saberes históricos em diálogo com a sociedade e a escola.
- C)consciência histórica.
Errada, porque consciência histórica é a capacidade de atribuir sentido ao tempo e à experiência, não o nome desse debate com saberes externos.
- D)tempo presente.
Errada, pois tempo presente é apenas uma categoria temporal da História, e não a prática descrita no enunciado.
Gabarito: B
A questão conversa com um tema muito presente nas discussões atuais de ensino de História: a relação entre escola e saberes que circulam fora dela. Hoje, o professor não é visto apenas como transmissor de conteúdo fechado, mas como alguém que organiza debates, problematiza experiências e conecta a aprendizagem ao cotidiano dos alunos. Quando o enunciado fala em levar para a sala de aula temas do dia a dia, selecionar fontes, discutir conhecimentos difundidos socialmente e devolver isso em forma de reflexão coletiva, ele está descrevendo a ideia de história pública. Nessa perspectiva, a História sai do espaço restrito dos livros e dos especialistas e dialoga com diferentes públicos, mídias, memórias e experiências sociais. Por isso a alternativa B está correta. História pública é justamente esse campo que aproxima o conhecimento histórico da sociedade, valorizando a circulação de saberes fora da escola e a construção compartilhada de sentidos sobre o passado e o presente. Em vez de uma aula engessada, há mediação, debate e uso crítico de informações que vêm do cotidiano. As demais alternativas tentam confundir você com termos próximos, mas não têm o mesmo foco. Conhecimento histórico é mais amplo e genérico, consciência histórica é a forma como sujeitos dão sentido ao tempo, e tempo presente é um recorte temporal, não o nome desse diálogo entre escola e sociedade. Aqui, a palavra-chave é a circulação social do conhecimento.