Ensinar a história da Filosofia faz parte da atividade do professor de Filosofia. Nesse contexto, é CORRETO afirmar que:
- A)O professor deve se limitar a expor figuras e momentos da história da Filosofia.
Errada, porque o professor não deve apenas expor figuras e períodos, já que o ensino de Filosofia exige também problematização, reflexão e construção de sentido.
- B)Deve-se apenas ensinar o processo de filosofar, esquecendo do historicamente produzido.
Errada, porque ensinar só a filosofar, ignorando o que a tradição produziu, empobrece a disciplina e rompe com a dimensão histórica da Filosofia.
- C)É preciso desdenhar o conteúdo filosófico produzido nos últimos três mil anos.
Errada, porque desprezar a produção filosófica acumulada ao longo da história contraria justamente a função formativa do ensino de Filosofia.
- D)O ensino de Filosofia deve superar a dicotomia entre aprender Filosofia e aprender a filosofar.
Certa, porque o ensino de Filosofia deve integrar o estudo da tradição filosófica com o exercício do pensar, superando essa separação artificial.
Gabarito: D
Ensinar Filosofia não é fazer o aluno decorar nomes de autores como se fosse álbum de figurinhas, nem é reduzir a aula a pura opinião solta. O ponto central é que o professor precisa articular duas coisas: apresentar o patrimônio histórico da Filosofia e, ao mesmo tempo, desenvolver a capacidade de pensar filosoficamente. Em outras palavras, não basta saber o que foi dito, é preciso aprender a perguntar, analisar e argumentar com rigor. Por isso, a história da Filosofia não entra na aula como enfeite. Ela mostra como os problemas foram construídos ao longo do tempo, como cada filósofo respondeu às questões do seu contexto e como certas ideias continuam vivas até hoje. Sem isso, o aluno até pode “filosofar”, mas fica sem chão histórico e conceitual. O gabarito está correto porque supera a falsa oposição entre “aprender Filosofia” e “aprender a filosofar”. Essa é uma ideia muito usada na didática da disciplina: o ensino de Filosofia deve unir conteúdo e exercício do pensamento, e não escolher um deles como se o outro fosse dispensável. É o famoso caso de não querer separar o que funciona melhor junto. Então, a aula boa de Filosofia não é museu nem improviso. É estudo da tradição filosófica com prática crítica e reflexiva. Isso dialoga com a própria finalidade pedagógica da disciplina na educação básica, como se observa nas orientações curriculares da área, que valorizam a problematização, a argumentação e o contato com a tradição filosófica.