Em conformidade com CUNHA, sobre o desenvolvimento da linguagem gráfico-plástica após o berçário, analisar a sentença abaixo: É fundamental que as crianças vivenciem seu desejo exploratório gestual e matérico; portanto, é inadequado controlar seus ímpetos desbravatórios com exercícios de preenchimento de formas, ou com redução da quantidade de tintas e colas, ou fornecendo apenas folhas de tamanho reduzido (1ª parte). É adequado indicar temas às crianças, mesmo que elas não pretendam representar situações ou objetos (2ª parte). Ao final do processo, os educadores devem ficar preocupados com o aspecto da destruição, de não existir um desenho ou uma pintura para ser colocada na pasta do aluno e ser mostrada aos pais (3ª parte). A sentença está:
- A)Totalmente correta.
Errada, porque apenas a 1ª parte está correta, enquanto a 2ª e a 3ª contrariam a proposta de exploração livre na linguagem gráfico-plástica.
- B)Correta somente em sua 1ª parte.
Certa, pois só a 1ª parte respeita a exploração gestual e matérico-plástica da criança; as demais impõem tema e valorizam o produto final.
- C)Correta somente em suas 1ª e 2ª partes.
Errada, porque a 2ª parte não é adequada e a 3ª também não, já que o processo expressivo não deve ser controlado por tema nem por expectativa de resultado.
- D)Correta somente em suas 2ª e 3ª partes.
Errada, porque tanto a 2ª quanto a 3ª partes estão incorretas; a criança não deve ser conduzida por temas obrigatórios nem avaliada pela aparência final da produção.
- E)Totalmente incorreta.
Errada, porque a 1ª parte está de acordo com a abordagem de Cunha sobre a experimentação gráfica e plástica na Educação Infantil.
Gabarito: B
A questão trata da linguagem gráfico-plástica na Educação Infantil, especialmente depois do berçário, quando a criança já não está apenas no gesto puro, mas começa a explorar traços, materiais e marcas com mais intenção. Nessa fase, o mais importante é permitir a experimentação: tinta, cola, papel grande, dedos, pincéis, movimentos amplos e liberdade para testar possibilidades. Isso combina com a ideia de Cunha de valorizar o fazer infantil como exploração e não como treino de modelo pronto. Por isso, a 1ª parte está correta. Não faz sentido restringir a criança com atividades de preenchimento de formas ou com pouca oferta de materiais, porque isso corta justamente o impulso exploratório que sustenta o desenvolvimento gráfico-plástico. A criança precisa vivenciar o gesto, a matéria e a descoberta, sem ser empurrada cedo demais para um produto final padronizado. A 2ª parte está errada porque indicar tema para a criança, quando ela ainda não quer representar algo, pode engessar sua expressão. Na Educação Infantil, a proposta deve respeitar o interesse, o ritmo e a intenção da criança, sem forçar representações que ainda não fazem sentido para ela. Em outras palavras: primeiro a experiência, depois a cobrança de “desenhar certo”. A 3ª parte também está errada, porque o foco não deve ser a preocupação com a destruição do desenho ou com a falta de uma folha bonita para mostrar aos pais. O valor pedagógico está no processo, na exploração e na construção da linguagem, e não em produzir uma obra “de vitrine”. Essa lógica é coerente com as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, que valorizam experiências, interações e expressões da criança, não a padronização do resultado.