Para Delia Lerner, participar da cultura escrita supõe apropriar-se de uma tradição de leitura e escrita, supõe assumir uma herança cultural que envolve o exercício de diversas operações com os textos e a colocação em ação de conhecimento sobre as relações entre I. os textos. II. eles e seus autores. III. os próprios autores. IV. os textos e seu contexto. É correto o que se afirma em
- A)I e IV, apenas.
Errada, porque limita a ideia de cultura escrita e deixa de fora as relações com autores e com os próprios autores.
- B)II e III, apenas.
Errada, porque reconhece apenas parte das relações propostas por Lerner e ignora os textos entre si e com o contexto.
- C)I, II e IV, apenas.
Errada, porque ainda omite uma das relações centrais: a ligação entre os próprios autores e os textos.
- D)I, II, III e IV.
Certa, porque todas as relações citadas fazem parte da compreensão de Lerner sobre participação na cultura escrita.
Gabarito: D
Para Delia Lerner, entrar na cultura escrita não é só decodificar letras: é participar de uma prática social viva, em que ler e escrever fazem parte de uma tradição cultural. Isso significa lidar com textos de verdade, em situações reais, percebendo que eles conversam entre si, com seus autores e com o contexto em que circulam. Em outras palavras, não basta “ler o que está na linha”; você precisa entender o jogo social da escrita. Na visão de Lerner, o sujeito que participa da cultura escrita mobiliza diferentes operações com os textos. Ele compara textos, identifica relações entre eles, reconhece quem os produziu, compreende a intenção do autor e também observa como o contexto histórico e social influencia o texto. É uma abordagem bem completa, porque a leitura não fica presa só ao conteúdo literal. Por isso, o gabarito é a letra D. As quatro afirmações estão corretas: há relação entre os textos, entre os textos e seus autores, entre os textos e os próprios autores, e entre os textos e seu contexto. Tudo isso faz parte da apropriação da cultura escrita, exatamente como Delia Lerner defende em sua perspectiva da alfabetização e do letramento como práticas sociais.