“A alfabetização científica pode ser considerada como uma das dimensões para potencializar alternativas que privilegiam uma educação mais comprometida. É recomendável enfatizar que essa deve ser uma preocupação muito significativa no ensino fundamental, mesmo que se advogue a necessidade de atenções quase idênticas também para o ensino médio. Sonhadoramente, ampliaria a proposta para incluir também, mesmo que isso possa causar arrepio em alguns, o ensino superior.” (CHASSOT, Áttico. Alfabetização científica: uma possibilidade para a inclusão social. 2012. Revista Brasileira de Educação. nº 22, p. 89 - 100, jan/abr, 2003.). Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbedu/n22/n22a09.pdf Acesso em: 30 nov. 2020. Para Chassot (2003), ser alfabetizado cientificamente significa
- A)compreender o saber acadêmico bem como ser minimamente fluente na linguagem científica pela qual o conhecimento básico é produzido.
Errada, porque reduz alfabetização científica à fluência na linguagem científica e ao saber acadêmico, sem destacar a compreensão da natureza e seus efeitos na vida.
- B)entender e prever as transformações que ocorrem na natureza de modo que estas conduzam a uma melhor qualidade de vida.
Certa, pois expressa a ideia de compreender e prever transformações na natureza para favorecer uma melhor qualidade de vida.
- C)ter acesso ao conhecimento natural, tanto o saber da escola quanto o saber para a escola e a transposição de um para o outro.
Errada, porque mistura saber da escola e saber para a escola, mas isso não define a noção de alfabetização científica de Chassot.
- D)envolver-se num processo de reelaboração de saberes de outros contextos sociais, visando ao atendimento das finalidades sociais da escolarização.
Errada, porque fala em reelaboração de saberes para fins da escolarização, o que se aproxima de pedagogia curricular, não da definição de alfabetização científica.
Gabarito: B
A ideia de alfabetização científica, em Chassot, vai muito além de decorar nomes de fenômenos ou repetir fórmulas como papagaio em laboratório. Ela aponta para a capacidade de ler o mundo com apoio da ciência, entendendo como os conhecimentos científicos ajudam a interpretar a natureza e a vida cotidiana. Em outras palavras, não é só saber ciência, mas usar esse saber para compreender situações reais e tomar decisões melhores. Por isso, a alternativa B é a correta: Chassot relaciona alfabetização científica com a possibilidade de entender e até prever transformações na natureza, ampliando a qualidade de vida. A ciência, nesse sentido, funciona como uma ferramenta de leitura do mundo, e não apenas como conteúdo escolar isolado. É uma visão muito ligada à inclusão social e à formação crítica. As demais alternativas escorregam para ideias mais estreitas ou deslocadas. Algumas falam em linguagem científica, outras em saber escolar, mas Chassot está pensando num uso mais amplo e socialmente relevante do conhecimento científico. Em concursos, esse tipo de questão costuma cobrar exatamente essa virada: ciência como compreensão do mundo e não como memorização fria. Como apoio doutrinário, vale lembrar que a perspectiva de alfabetização científica em Chassot dialoga com a formação cidadã e com a superação do ensino meramente transmissivo, algo coerente com os objetivos da educação básica previstos na LDB.