Muitas vezes, professores recorrem à “frequência” do aluno como um instrumento de avaliação, onde o simples fato de estar em sala de aula confere mérito ao aluno nestes tipos de utilização. Alguns autores ressaltam que, através deste controle da frequência, o aluno será avaliado apenas por se fazer presente. Pode-se compreender que existe um equívoco em relação a construção, adoção, aplicação e análise dos instrumentos, assim como das formas de avaliação adotadas pelos professores no momento de avaliação das competências cognitivas e socioafetivas dos alunos, isso porquê:
- A)Utilizar a frequência como instrumento avaliativo pode gerar conflito com os pais quando eles não podem levar seus filhos diariamente à escola.
Errada, porque o problema da frequência como avaliação não é conflito com os pais, e sim a incapacidade desse critério de medir aprendizagem.
- B)Adotar apenas a frequência não garante que ele tenha ou não aprendido os conhecimentos mediados pelo professor em suas aulas, além de que ele tem direito, por lei, a faltar a 25% das aulas no decorrer do ano letivo, o que não pode ser objeto de penalização.
Certa, porque a presença não comprova aprendizagem e a LDB garante limite de 25% de faltas, sem transformar isso em punição avaliativa.
- C)Substituir a nota, pela frequência como forma de expressar os resultados da avaliação, pode ajudar o professor a repensar seu curso e suas estratégias didáticas, bem como a sua própria relação com os alunos.
Errada, porque a frequência não deve substituir a nota como indicador de aprendizagem, embora possa ser um dado complementar de acompanhamento.
- D)Usar a frequência como estratégia de avaliação torna a tarefa mais difícil para o professor visto que ele dependerá cada vez mais de silêncio em sala de aula para fazer a verificação da presença.
Errada, porque o foco da questão não é a dificuldade operacional do professor, mas a inadequação pedagógica de avaliar apenas pela presença.
Gabarito: B
Avaliação educacional não é sinônimo de contar presença. A frequência pode ser um dado administrativo importante, mas ela não mede, por si só, aprendizagem, competência cognitiva nem desenvolvimento socioafetivo. Em outras palavras: estar na sala ajuda, mas não garante que o conteúdo tenha sido realmente apropriado pelo aluno. Em avaliação, o foco precisa estar em evidências de aprendizagem, com instrumentos coerentes com os objetivos propostos. É justamente aí que mora o equívoco da questão: usar apenas a frequência como critério avaliativo reduz a avaliação a uma lógica de presença física, o que empobrece completamente o processo. A avaliação precisa considerar o que o aluno sabe, como aplica, como argumenta, como resolve problemas e como participa das situações de ensino-aprendizagem. Frequência pode compor o conjunto de registros, mas não substitui a verificação da aprendizagem. O gabarito B está correto porque aponta dois pontos centrais. Primeiro, a presença em aula não assegura que o aluno aprendeu os conhecimentos trabalhados pelo professor. Segundo, há respaldo legal para a limitação de faltas: a LDB (Lei 9.394/1996), no art. 24, inciso VI, exige frequência mínima de 75% do total de horas letivas, o que corresponde a até 25% de faltas permitidas, e isso não pode ser tratado como punição automática na lógica avaliativa. Ou seja, frequência é controle de assiduidade, não nota de aprendizagem. Na prática, o professor precisa usar instrumentos variados e coerentes, como provas, observação, trabalhos, atividades, projetos e participação qualificada. Avaliar bem é olhar para o processo, não apenas para a cadeira ocupada na sala.