Em uma sala de aula, em um evento de oralidade, a professora deparou-se com o seguinte episódio: Professora – Por que você não veio ontem? Aluno – Eu tava estudanu. Seguindo a proposta de Bortoni-Ricardo, em Educação em língua materna: a sociolinguística na sala de aula, a professora deveria responder a fala do aluno da seguinte maneira:
- A)Apresentar a regra padrão sem comentar a fala do aluno.
Correta, porque ensina a norma-padrão sem estigmatizar a fala do aluno, que é o esperado na perspectiva de Bortoni-Ricardo.
- B)Ignorar a fala do aluno, pois este desvio não é uma regra não padrão.
Errada, porque a fala do aluno não deve ser ignorada e a questão não trata de "desvio" como erro moral ou falta de regra.
- C)Apresentar a regra padrão, destacando a presença de uma regra não padrão.
Errada, porque ainda destaca a fala do aluno como "regra não padrão", o que pode soar classificatório e pouco sensível ao enfoque sociolinguístico.
- D)Apresentar a regra padrão, pois esse desvio é uma regra não padrão que deve ser trocada pela regra padrão.
Errada, porque parte da ideia de que a fala do aluno é um desvio que precisa ser trocado, postura incompatível com a proposta de valorização da variação linguística.
- E)Ignorar a fala do aluno, pois trata-se de uma regra não padrão que logo será corrigida pelo próprio aluno.
Errada, porque a professora não deve apenas esperar uma correção espontânea, já que a escola tem papel ativo na ampliação da competência linguística do aluno.
Gabarito: A
A proposta de Bortoni-Ricardo parte de uma ideia simples e muito importante: o aluno não fala errado, ele fala de acordo com a variedade linguística que aprendeu no seu grupo social. Na sala de aula, isso pede cuidado para que a professora não transforme diferença em defeito, nem faça da fala do estudante um motivo de exposição. O objetivo é ampliar repertório, não apagar a identidade linguística de ninguém. Quando o aluno diz "Eu tava estudanu", a professora não deve interromper a comunicação com correção dura, nem tratar a forma como se fosse um problema moral ou intelectual. Pela perspectiva sociolinguística, a função pedagógica é mostrar a forma padrão em contexto adequado, sem depreciar a fala do aluno. Assim, ele vai percebendo que existem situações em que a norma-padrão é exigida, mas sua variedade de origem continua legítima. Por isso, o gabarito A está correto: a professora deve apresentar a regra padrão sem comentar a fala do aluno. Em outras palavras, ela ensina a forma de prestígio de modo discreto e respeitoso, evitando estigmatização. Isso está em sintonia com a sociolinguística educacional defendida por Bortoni-Ricardo, que valoriza a competência comunicativa e o respeito à diversidade linguística. A lógica aqui é bem de concurso: quando a questão cita Bortoni-Ricardo, desconfie de alternativas que falem em "corrigir o erro" como se a fala do aluno fosse defeito. A abordagem correta é pedagógica e inclusiva, com ensino da norma-padrão sem humilhar ou silenciar a variedade do estudante.