Assim como o conhecimento matemático é produzido e praticado socialmente, a aprendizagem da disciplina envolve um processo ativo por parte do aluno que, ao observar, construir, modificar e relacionar ideias, aprende a “fazer matemática” (D’AMBROSIO, 2013; DANTE, 2010). Esses fazeres matemáticos envolvem conhecimentos que são aprendidos também fora da escola, no ambiente familiar, nas brincadeiras e jogos, por exemplo. Tais experiências devem ser valorizadas pelo professor no momento de introduzir e aplicar novos conceitos e procedimentos matemáticos. Acerca desses saberes e fazeres matemáticos, D’Ambrosio (2013) afirma que comparar, classificar, quantificar, medir, explicar, generalizar e, de algum modo, avaliar são saberes/fazeres matemáticos mobilizados na busca de explicações e de maneiras de lidar:
- A)com o ambiente imediato e remoto, contextualizado em fatores naturais e sociais.
Correta, porque retoma a visão de D’Ambrosio de uma Matemática ligada ao cotidiano, ao ambiente imediato e remoto, e a fatores naturais e sociais.
- B)somente com questões abstratas, contextualizado em fatores naturais e sociais.
Errada, porque restringe a Matemática a questões abstratas, contrariando a valorização dos contextos concretos e sociais defendida no texto.
- C)com o ambiente imediato e remoto, contextualizado somente em fatores sociais.
Errada, porque limita a contextualização apenas aos fatores sociais, deixando de fora a dimensão natural citada na perspectiva apresentada.
- D)com o ambiente imediato e remoto, contextualizado somente em fatores naturais.
Errada, porque reduz a contextualização apenas aos fatores naturais, ignorando que os saberes matemáticos também envolvem dimensões sociais.
- E)somente com questões abstratas, contextualizado somente em fatores naturais.
Errada, porque volta a prender a Matemática em questões abstratas e ainda limita o contexto apenas aos fatores naturais.
Gabarito: A
A ideia central da questão é que a Matemática não nasce só do livro ou da lousa: ela também aparece no cotidiano, nas brincadeiras, nas compras, na organização da casa, nas medições e nas comparações que a criança faz sem perceber. D’Ambrosio defende justamente essa visão mais viva da Matemática, ligada a práticas sociais e culturais, e não reduzida a exercícios abstratos soltos do mundo real. Por isso, quando ele fala em comparar, classificar, quantificar, medir, explicar, generalizar e avaliar, está se referindo a saberes e fazeres matemáticos usados para entender e agir sobre o ambiente em que a pessoa vive. Esse ambiente pode ser imediato, como a sala de aula, a casa e o bairro, e também remoto, como situações mais amplas da vida social. A alternativa A traduz bem essa ideia porque junta os dois pontos importantes do texto: a relação com o ambiente imediato e remoto e a contextualização em fatores naturais e sociais. Ou seja, a Matemática ajuda a lidar com o mundo real em suas várias dimensões, e não apenas com números abstratos. Esse enfoque conversa com a tendência da Educação Matemática de valorizar os conhecimentos prévios do aluno e suas experiências fora da escola. Em termos práticos: antes de ensinar a fórmula, o professor observa como o aluno pensa, compara, mede e resolve problemas no dia a dia. Aí a aprendizagem ganha sentido de verdade, sem virar apenas decoreba com cara de cálculos.