Considere a situação a seguir: Em uma escola, uma professora foi recém contratada para lecionar Geografia. Sempre que a nova professora está na sala dos professores, no momento de intervalo, um professor veterano na escola começa a fazer comentários sarcásticos e humilhantes direcionados a ela. Incomodada com a situação, a professora procurou a diretora escolar para relatar a situação. Com base no caso narrado, a professora recém contratada deve relatar à diretora escolar que está sofrendo:
- A)Xenofobia.
Errada, porque xenofobia é preconceito ou aversão contra pessoas de outra nacionalidade, origem ou condição de estrangeiro, o que não aparece no caso.
- B)Assédio moral.
Certa, pois há humilhações reiteradas e comentários sarcásticos no ambiente de trabalho, caracterizando assédio moral.
- C)Assédio sexual.
Errada, porque não há qualquer conduta de conotação sexual, apenas agressões verbais e psicológicas.
- D)Discriminação de gênero.
Errada, pois o enunciado não trata de inferiorização por ser homem ou mulher, e sim de hostilidade no contexto profissional.
- E)Preconceito racial.
Errada, porque não há referência a raça, cor ou etnia, logo não se trata de preconceito racial.
Gabarito: B
A situação narrada aponta para uma conduta repetida de humilhação, ironia e menosprezo no ambiente de trabalho. Isso não é brincadeira inocente nem “jeito duro” de conviver na escola: quando alguém passa a expor, constranger ou desgastar psicologicamente outro de forma constante, o nome disso é assédio moral. Em geral, ele aparece justamente em relações hierárquicas ou de convivência profissional, com ataques que ferem a dignidade da pessoa e criam um ambiente hostil. No caso, o professor veterano faz comentários sarcásticos e humilhantes direcionados à colega recém-contratada, o que revela uma prática abusiva no contexto laboral. A professora fez certo em relatar à direção, porque a escola deve prevenir e enfrentar esse tipo de violência psicológica. A Lei nº 13.185/2015, embora trate do bullying, ajuda a entender a lógica da repetição e da intimidação, e a doutrina trabalhista e educacional identifica esse padrão como assédio moral quando há exposição vexatória continuada. Perceba que não há qualquer elemento de conteúdo sexual, racial, religioso ou de xenofobia. O foco da questão é a agressão psicológica no trabalho, com intenção de constranger e desestabilizar a vítima. Em concurso, esse tipo de caso costuma vir vestido de “comentários” ou “brincadeiras”, mas o efeito importa mais do que a embalagem. Se humilha e persiste, acende o alerta do assédio moral.