Moreira e Câmara, na obra Multiculturalismo: diferenças culturais e práticas pedagógicas (2008), pontuam sobre a relevância da temática da identidade como objeto de estudo para a teoria social e para as teorizações sobre educação, além de sua importância política. Acerca das reflexões sobre identidade realizadas pelos autores, é incorreto afirmar:
- A)Na teoria social, a discussão sobre identidade possibilita a compreensão da interação entre a experiência subjetiva do mundo e os cenários históricos e culturais que contribuem para a formação da identidade.
Está correta, porque a identidade é entendida em diálogo com experiências subjetivas e com os contextos históricos e culturais.
- B)Nossa identidade pode ser considerada: uma essência, um dado, fixa, estável, centrada, unificada, homogênea, definitiva.
Está errada, porque trata a identidade como fixa, estável, homogênea e definitiva, quando ela é construída socialmente e está sempre em movimento.
- C)A identidade se conecta diretamente com a diferença – o que somos se define em relação ao que não somos, sendo identidade e diferença inseparáveis.
Está correta, porque identidade e diferença são inseparáveis: definimos quem somos também em relação ao que não somos.
- D)Entre as maneiras de lidar com as identidades e diferenças na sala de aula, está a da procura de ampliação de consciência das situações de opressão que se manifestam em diferentes espaços sociais.
Está correta, porque a abordagem pedagógica crítica busca ampliar a consciência sobre opressões e desigualdades vividas em diferentes espaços sociais.
- E)Na questão política, o destaque na identidade provém do reconhecimento de inadmissíveis discriminações sofridas por determinados grupos sociais
Está correta, porque a centralidade política da identidade aparece justamente no enfrentamento das discriminações sofridas por grupos sociais.
Gabarito: B
A discussão sobre identidade, em Moreira e Câmara, parte da ideia de que ninguém nasce pronto e fechado em uma caixinha. A identidade vai sendo construída nas relações sociais, históricas e culturais, e por isso ela muda, desloca, negocia sentidos e nunca aparece isolada da diferença. Em outras palavras, você entende quem é também pelo contraste com aquilo que não é, não existe identidade sem alteridade. Na teoria social e na educação, isso importa muito porque ajuda a perceber como grupos, sujeitos e culturas são produzidos em contextos concretos, com disputas, valores e relações de poder. Por isso, identidade não é uma essência natural, fixa e definitiva. Essa visão é típica de abordagens pós-estruturalistas e multiculturalistas, que rejeitam a ideia de uma identidade única, estável e homogênea. É exatamente aí que está o problema da alternativa B: ela descreve a identidade como se fosse algo pronto, permanente e encerrado em si mesmo. Para os autores, esse entendimento está incorreto, porque a identidade é fluida, relacional e construída socialmente. Na prática pedagógica, essa reflexão também leva o professor a enfrentar desigualdades, discriminações e opressões presentes na escola e fora dela, ampliando a consciência crítica dos estudantes. Ou seja, identidade não é um retrato de documento: é processo, conflito e relação.