Em relação ao trabalho com gêneros discursivos nas aulas de LE, analise as assertivas a seguir: I. O trabalho com gêneros discursivos em LE não deve prescindir das formas dos textos, que devem ser considerados relevantes assim como seu significado e conteúdo, para a construção de sentido. II. O trabalho com exercícios estruturais de gramática e tradução são fundamentais para a aprendizagem da língua, sobrepondo a necessidade de contextualização da produção de discursos. III. Considerar os estudantes como pertencentes a universos discursivos particulares é fundamental para a seleção de repertório que seja significativo para eles em sala de aula. Quais estão corretas?
- A)Apenas I.
A alternativa afirma que somente a assertiva I estaria correta. De fato, a I está alinhada com o trabalho com gêneros discursivos, pois a forma textual também participa da construção de sentido, ao lado do conteúdo e do significado. O problema é que a assertiva III também procede, já que a seleção de textos precisa considerar os repertórios e universos discursivos dos estudantes.
- B)Apenas II.
Aqui se sustenta que apenas a assertiva II estaria correta, valorizando exercícios estruturais de gramática e tradução acima da contextualização. Esse raciocínio contraria a abordagem por gêneros discursivos, que prioriza o uso situado da língua, a função social do texto e a produção de sentidos em contexto. Além disso, a II ignora que o ensino de LE não se organiza pela sobreposição da forma isolada à prática discursiva.
- C)Apenas III.
A alternativa diz que somente a assertiva III estaria correta, isto é, que é importante considerar os estudantes como pertencentes a universos discursivos específicos para escolher repertório significativo. Essa ideia está correta, porque o ensino por gêneros parte das práticas sociais e dos conhecimentos prévios dos alunos. O erro é excluir a assertiva I, que também é verdadeira ao reconhecer que a forma do texto não pode ser separada de seu significado na construção de sentido.
- D)Apenas I e III.
Esta opção reúne exatamente as assertivas I e III. A I é correta porque, no trabalho com gêneros discursivos, a forma textual, a organização linguística e os sentidos produzidos devem ser analisados em conjunto, e a III também é correta ao defender a seleção de textos e repertórios próximos dos universos discursivos dos alunos. Como a II é incompatível com essa perspectiva, por privilegiar gramática estrutural e tradução acima da contextualização, esta é a combinação certa.
- E)I, II e III.
A alternativa afirma que as três assertivas estariam corretas. Isso não se sustenta porque a II contraria a perspectiva de gêneros discursivos ao tratar exercícios estruturais de gramática e tradução como centrais e superiores à contextualização da linguagem. Nessa abordagem, a aprendizagem de LE depende do uso social da língua, da interação e da produção de sentidos em situações reais, não da primazia de práticas descontextualizadas.
Gabarito: D
Quando a questão fala em gêneros discursivos nas aulas de língua estrangeira (LE), a ideia central é que você não trabalhe só com palavras soltas ou regras descoladas da vida real. O foco é entender como o texto funciona no mundo: quem fala, para quem fala, com que objetivo e em que situação. Por isso, forma, conteúdo e função caminham juntos. Isso dialoga com a visão dos PCN e com a abordagem sociointeracionista de linguagem: aprender língua é aprender a agir por meio dela em contextos reais ou próximos da realidade do aluno. A assertiva I está correta porque, ao trabalhar com gêneros, a forma do texto importa sim. Não basta só “entender a ideia geral”; é preciso observar estrutura, organização, marcas linguísticas e elementos que ajudam a construir sentido. Em outras palavras: a casca também ensina, e muito. A assertiva II está errada porque ela privilegia exercícios estruturais, gramática e tradução acima da contextualização. Isso vai na contramão das abordagens mais atuais de ensino de línguas, que valorizam o uso significativo da linguagem, a interação e a produção situada de sentidos. Gramática pode existir, claro, mas como meio e não como rei do castelo. A assertiva III também está correta: considerar os estudantes como sujeitos de universos discursivos próprios ajuda a selecionar textos e atividades mais significativos, próximos de seus interesses, experiências e práticas sociais. Assim, o repertório trabalhado em sala ganha sentido e aumenta a possibilidade de aprendizagem real. Por isso, o gabarito é D: apenas I e III.