Na intervenção psicopedagógica, quando o “não sei” aparece como principal resposta, precisamos nos perguntar o que é que não está sendo permitido saber. Como devemos proceder em relação ao fracasso escolar ou o problema de aprendizagem?
- A)É preciso que se faça uma proibição para que não se use o termo “não sei”.
Errada, porque proibir o uso de “não sei” não resolve a dificuldade e ainda pode aumentar a ansiedade do aluno.
- B)É preciso que, na intervenção psicopedagógica, não se trabalhe o que o aluno tem dificuldade.
Errada, porque a intervenção psicopedagógica justamente trabalha as dificuldades do aluno, em vez de ignorá-las.
- C)O problema de aprendizagem deve ser encarado como um fator relevante, dentro do fracasso escolar.
Errada, porque o problema de aprendizagem não é só um fator dentro do fracasso escolar, mas uma manifestação que precisa ser compreendida em profundidade.
- D)Deve ser um estudo minucioso das principais disciplinas que não se consegue trabalhar.
Errada, porque reduzir o caso a um estudo das disciplinas em que há dificuldade empobrece a análise psicopedagógica.
- E)Deve ser sempre um enigma a ser decifrado que não deve ser calado, mas escutado.
Certa, porque o problema deve ser escutado e investigado como um enigma a ser compreendido, e não silenciado.
Gabarito: E
Na intervenção psicopedagógica, o foco não é mandar o aluno “parar de errar” ou calar o “não sei”. Esse “não sei” muitas vezes é uma pista importante: pode estar mostrando medo de errar, bloqueio, dificuldade simbólica ou até uma forma de defesa diante do conhecimento. Em vez de tratar isso como rebeldia ou preguiça, o psicopedagogo precisa escutar o que está por trás da resposta. Por isso, o fracasso escolar não deve ser visto como uma simples falta de esforço, nem como um problema isolado de uma disciplina. Ele é um fenômeno complexo, que envolve o sujeito, a família, a escola, a história de aprendizagem e o modo como o saber foi permitido ou impedido. Na perspectiva psicopedagógica, o sintoma não é só o que aparece na superfície; ele costuma esconder uma relação mais profunda com o aprender. A alternativa correta é a letra E porque traduz exatamente essa ideia: o problema de aprendizagem deve ser tratado como algo que pede escuta, investigação e leitura cuidadosa, e não silêncio ou repressão. Em outras palavras, o “não sei” não deve ser calado, mas compreendido. Essa visão dialoga com a abordagem psicopedagógica clínica, que busca entender o vínculo do aluno com o conhecimento, e com o entendimento educacional de que a aprendizagem envolve dimensões cognitivas, afetivas e sociais. Então, em vez de procurar um culpado rápido, você deve olhar para o que o sintoma está dizendo. Às vezes, o fracasso escolar fala mais alto do que a resposta certa. E a boa intervenção começa justamente quando alguém decide escutar.