É sabido que aprender-ensinar-aprender, processo em que mulheres e homens ao longo de suas vidas fazem e refazem seus jeitos de ser, viver, pensar, os envolve em trocas de significados com outras pessoas de diferentes faixas etárias, sexo, grupos sociais e étnico-raciais, experiências de viver. Tratar, pois, de ensinos e de aprendizagens é tratar de identidades, de conhecimentos que se situam em contextos de culturas, de choques e trocas entre jeitos de ser e viver, de relações de poder. FONSECA, M. V.; SILVA, C. M. N.; FERNANDES, A. B. Relações étnicoraciais no Brasil. Belo Horizonte: Mazza Edições: 2011, p. 13. As opções abaixo apresentam as finalidades de se estreitar as relações entre pessoas de diferentes grupos étnico-raciais, à exceção de uma. Assinale-a:
- A)Promover aprendizagens em que se efetive a participação no espaço público.
Está correta, porque ampliar relações entre grupos diferentes favorece a participação no espaço público e a inclusão cidadã.
- B)Formar pessoas comprometidas com a cidadania e na discussão de questões de interesse geral.
Está correta, pois a convivência entre grupos diversos deve fortalecer a cidadania e o debate sobre temas de interesse coletivo.
- C)Fomentar juízos de valor que reforcem práticas sociais da cultura hegemônica.
Está errada, porque a proposta educativa das relações étnico-raciais não é reforçar a cultura hegemônica, mas questionar desigualdades e valorizar diferenças.
- D)Incentivar a valorização de diferentes visões de mundo e contribuições dos povos que têm formado a nação.
Está correta, já que valorizar visões de mundo diversas e contribuições históricas dos povos é um objetivo central dessa abordagem.
- E)Negociar prioridades, coordenando diferentes interesses, propósitos e desejos.
Está correta, porque promover diálogo entre interesses distintos faz parte da formação para a convivência democrática.
Gabarito: C
A questão trabalha a ideia de educação para as relações étnico-raciais, que busca ir além da tolerância formal e construir convivência com reconhecimento, diálogo e valorização das diferenças. Na prática, isso combina com cidadania, participação social, negociação de interesses e ampliação de repertórios culturais. É a lógica de uma escola que não trata a diversidade como decoração, mas como parte viva do currículo. Esse tema conversa diretamente com a Lei 10.639/2003 e a Lei 11.645/2008, além das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais, que orientam uma educação voltada ao combate ao racismo e à valorização das matrizes africanas, afro-brasileiras e indígenas. Ou seja, a escola deve promover respeito, crítica e justiça social, não reproduzir hierarquias históricas. Por isso, a alternativa C é a incorreta. Ela fala em reforçar práticas sociais da cultura hegemônica, o que vai na contramão da proposta inclusiva e emancipadora do tema. Em vez de ampliar vozes e reconhecer diferentes contribuições, essa postura mantém o centro de poder cultural sempre no mesmo lugar. E aí a diversidade entra só para bater ponto, não para transformar a convivência.