O debate atual da autonomia escolar enraíza-se no processo dialógico de ensinar dos primórdios da filosofia grega. No diálogo entre Sócrates e Ménon acerca da questão “se a virtude podia ser ensinada”, numa praça de Atenas, o mestre Sócrates insiste que o escravo Ménon deve procurar, nele, mesmo, a resposta. Educar significa, então, capacitar, potencializar, para que o educando seja capaz de buscar a resposta do que pergunta, significa formar para a autonomia. GADOTTI, Moacir. Escola Cidadã. São Paulo: Cortez, 2002, p. 9. A construção de uma educação pautada pela autonomia pressupõe
- A)o direcionamento do foco para o desempenho do aluno, com vistas à preparação para o mundo do trabalho.
Errada, porque reduzir a educação ao desempenho e à preparação para o trabalho aproxima a escola de uma lógica instrumental, não de autonomia.
- B)a escolha de métodos ativos, com a participação direta dos alunos.
Certa, porque métodos ativos colocam o aluno como participante direto da construção do conhecimento, favorecendo iniciativa e autonomia.
- C)uma seleção curricular calcada no critério da pertinência dos conteúdos.
Errada, porque selecionar conteúdos por pertinência curricular pode ser importante, mas isso não garante, por si só, autonomia do estudante.
- D)a eficaz transmissão dos saberes tradicionais, agregadores de valores éticos.
Errada, porque a simples transmissão de saberes tradicionais mantém o aluno como receptor passivo, exatamente o oposto da autonomia.
- E)a promoção de atitudes de respeito mútuo e de subordinação às lideranças.
Errada, porque subordinação a lideranças e apenas respeito mútuo não caracterizam uma educação emancipadora e autônoma.
Gabarito: B
A ideia central da questão é que uma educação voltada para a autonomia não trata o aluno como receptor passivo, mas como sujeito ativo da própria aprendizagem. Isso conversa com a tradição socrática citada no enunciado: em vez de entregar a resposta pronta, o professor provoca, questiona e ajuda o estudante a construir o conhecimento por si mesmo. Na pedagogia, autonomia costuma aparecer ligada a práticas que favorecem participação, reflexão, investigação e tomada de decisão. Em outras palavras, o aluno não só ouve, ele pensa, pergunta, compara, experimenta e constrói sentido. É a lógica de uma formação que desenvolve independência intelectual e responsabilidade. Por isso, a alternativa B está correta: métodos ativos colocam o educando em ação direta no processo de aprendizagem, o que combina com a proposta de formar para a autonomia. É a velha lição de Sócrates com roupa nova: menos aula-mosca morta, mais aluno pensando de verdade. As demais alternativas apontam para foco produtivista, transmissão vertical ou submissão, que podem até aparecer em outras concepções de ensino, mas não expressam uma educação autonômica. Em termos doutrinários, essa ideia dialoga com pedagogias ativas e com uma visão crítica e emancipadora da educação, muito presente em autores como Paulo Freire e também na perspectiva de gestão democrática da LDB.