Sobre a prática do professor, leia o trecho a seguir. Um professor de profissão não é somente alguém que aplica conhecimentos produzidos por outros, não é somente um agente determinado por mecanismos sociais: é um ator no sentido forte do termo, isto é, um sujeito que assume sua prática a partir dos significados que ele mesmo lhe dá, um sujeito que possui conhecimentos e um saber-fazer provenientes de sua própria atividade e a partir dos quais ele a estrutura e a orienta. TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012. Segundo o que é afirmado, o professor
- A)reproduz referenciais teóricos precisos e predeterminados em sua prática.
Errada: o texto nega que o professor apenas reproduza saberes teóricos prontos e predeterminados.
- B)é um ator passivo na prática pedagógica, favorecendo o aluno como sujeito.
Errada: o professor não é passivo; o trecho destaca justamente sua atuação ativa e consciente na prática pedagógica.
- C)está limitado em sua prática por aquilo que a estrutura institucional permite.
Errada: embora existam limites institucionais, o texto enfatiza a autonomia relativa e a capacidade de construir sentidos na prática.
- D)é produto de suas circunstanciais sociais de origem e de sua formação acadêmica.
Errada: a origem social e a formação influenciam, mas não esgotam a identidade profissional nem explicam sozinho a prática docente.
- E)produz conhecimento na interação entre a teoria e sua própria atividade.
Certa: está exatamente de acordo com Tardif, que valoriza a produção de saberes na relação entre teoria, experiência e atividade docente.
Gabarito: E
A ideia central do trecho de Tardif é simples e muito cobrada: o professor não é um repetidor automático de teorias prontas. Ele atua como sujeito da própria prática, alguém que interpreta, decide, adapta e constrói saberes no dia a dia da sala de aula. Em outras palavras, ensinar não é só aplicar receita; é também produzir conhecimento a partir da experiência. Por isso, a banca quer que você perceba a valorização dos saberes docentes. Para Tardif, a prática do professor se alimenta de diferentes fontes: formação acadêmica, teoria pedagógica, experiência profissional e interação com a realidade concreta. A aula real sempre mexe com a teoria, e a teoria também ganha sentido quando encontra a prática. O gabarito está na ideia de que o professor produz conhecimento na interação entre a teoria e sua própria atividade. Isso bate direto com o texto: ele possui saber-fazer, estrutura sua prática e a orienta com base nos significados que atribui ao que faz. Ou seja, ele não apenas recebe conhecimento, ele também o elabora no exercício da profissão. Na lógica de Tardif, portanto, o professor é ator, não figurante. Ele não fica preso a um script fechado: constrói, recria e ajusta sua ação pedagógica conforme a realidade, sem virar mera engrenagem da escola.