Uma das formas do senso comum pedagógico é a de considerar que o educando é um ser incapaz de criar. Ele tem que reter e repetir os conhecimentos, e não inventá-los. Apesar das reclamações constantes de que os alunos não são criativos, a ação pedagógica, na maior parte das vezes, está pautada pela ideia de que o aluno é incapaz de criar, é um inválido do ponto de vista intelectual. Toda vez que o educando tenta sair do esquema linear do dia a dia, é cercado de diversas maneiras. As estratégias para delimitar seu campo de ação baseiam-se no lema “fazer as coisas como o professor quer”. LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da educação. São Paulo: Cortez, 2021, p. 124. (adaptada). A concepção descrita no texto acima se alia à perspectiva pedagógica conhecida como
- A)tradicional.
Correta: a descrição traz a lógica da pedagogia tradicional, com aluno passivo, repetição de conteúdos e centralidade do professor.
- B)progressista.
Errada: a perspectiva progressista valoriza participação, crítica e construção ativa do conhecimento, não mera repetição.
- C)libertadora.
Errada: a pedagogia libertadora aposta no diálogo e na conscientização, bem distante da ideia de aluno incapaz de criar.
- D)libertária.
Errada: a pedagogia libertária defende autonomia e autogestão, o oposto de um ensino rígido e controlador.
- E)tecnicista.
Errada: a tecnicista enfatiza objetivos, técnicas e eficiência, mas a descrição do enunciado remete mais ao conservadorismo da tradição escolar.
Gabarito: A
O texto descreve uma escola em que o aluno é visto como alguém que apenas recebe, memoriza e repete o conteúdo. Nessa lógica, criar, questionar e inventar atrapalha a ordem da sala, porque o centro do processo é o professor e o aluno deve se encaixar no que foi transmitido. Isso é bem a cara da pedagogia tradicional: ensino conteudista, disciplina rígida, professor como autoridade máxima e estudante como sujeito passivo. Na visão tradicional, aprender costuma significar reproduzir corretamente o que foi ensinado. Por isso aparecem ideias como "fazer as coisas como o professor quer" e a desconfiança diante da autonomia do educando. O aluno não é estimulado a construir conhecimento, mas a armazenar e repetir. É justamente esse perfil que o enunciado critica. As abordagens progressista, libertadora e libertária seguem outro caminho: valorizam participação, autonomia, diálogo e formação crítica, então não combinam com a imagem de um aluno impedido de criar. Já a tecnicista organiza o ensino por objetivos e eficiência, mas também não se define pela negação da criatividade como no texto. Em resumo: se a questão mostra aluno obediente, repetidor e professor no comando, pense em pedagogia tradicional. Esse é um tema muito cobrado em Pedagogia, especialmente nas classificações das tendências pedagógicas. Luckesi ajuda bastante nessa leitura ao opor o modelo bancário, repetitivo e controlador a concepções mais emancipatórias de educação.