Decora-se que uma loja, por exemplo, fica na Rua da Glória; conquistei uma “informação” que, dependendo das circunstâncias, poderá ter um valor pessoal. Mas se vivi minha infância na Rua da Glória, em verdade aprendi-a e esse “conhecimento” sempre me ajudará quando descobrir outras ruas e, assim, comparando, analisando, descrevendo e percebendo essas descobertas com a rua de minha infância. ANTUNES, CELSO. Professores e professauros: reflexões sobre a aula e práticas pedagógicas diversas. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008, p. 158. A partir da leitura do texto supracitado, depreende-se que
- A)a noção de informação equivale à compreensão de conhecimento.
Errada, porque informação não equivale a conhecimento: informação pode ser apenas um dado memorizado, sem compreensão profunda.
- B)a noção de informação equivale à compreensão de aprendizagem.
Errada, porque informação também não equivale a aprendizagem, já que aprender exige elaboração, relação com experiências e sentido.
- C)um conhecimento é ferramenta para a conquista de outros conhecimentos.
Certa, pois o texto mostra que um conhecimento prévio ajuda a comparar, analisar e aprender outros conhecimentos.
- D)a informação e o conhecimento são duas categorias antagônicas.
Errada, porque informação e conhecimento não são categorias antagônicas; a informação pode ser ponto de partida para o conhecimento.
- E)a aquisição da informação envolve comparação, análise, descrição e percepção.
Errada, porque comparação, análise, descrição e percepção aparecem como operações ligadas ao conhecimento construído, não como definição de mera aquisição de informação.
Gabarito: C
O texto faz uma distinção muito comum na Pedagogia: informação não é o mesmo que conhecimento. Informação é algo que você recebe, memoriza ou repete, como saber que uma loja fica em certa rua. Já o conhecimento aparece quando essa informação é vivida, compreendida, relacionada com outras experiências e usada para pensar de forma mais ampla. Em outras palavras, conhecimento é informação trabalhada pela experiência, pela reflexão e pela comparação. É por isso que o autor contrapõe decorar e aprender. Decorar pode até gerar um dado útil em algumas situações, mas isso ainda não garante compreensão. Quando a criança vive na Rua da Glória, ela aprende a rua de verdade e, depois, usa essa vivência para comparar com outras ruas, analisar semelhanças e diferenças, descrever percursos e perceber novas relações. Esse movimento de ligar o novo ao que já se sabe é o coração da aprendizagem significativa. O gabarito é a letra C porque o texto mostra justamente que um conhecimento anterior funciona como base para conquistar outros conhecimentos. Você aprende uma referência, e essa referência ajuda a entender novas situações. Isso conversa bem com ideias clássicas da didática e da psicologia da aprendizagem, especialmente com a noção de aprendizagem significativa de Ausubel, em que novos conteúdos se ancoram em conhecimentos prévios. A banca explora essa diferença com frequência: quer saber se você percebe que conhecimento não é um estoque de dados, mas uma ferramenta para interpretar o mundo. Então, quando o texto fala em comparar, analisar e perceber novas descobertas a partir da rua da infância, ele está dizendo que o saber anterior organiza o aprendizado seguinte.