O xamanismo dos povos indígenas das terras baixas da América do Sul é um sistema complexo de crenças, práticas e rituais. Embora existam diferenças entre os povos, avalie as afirmativas a seguir a respeito de suas características comuns e assinale (V) para a afirmativa verdadeira e (F) para a falsa. ( ) Os xamanismo e pajelança podem ser considerados equivalentes quando usados para indicar a função de mediação entre o mundo humano e o mundo dos espíritos. ( ) A mediação exercida pelos xamãs amazônicos é um meio para conectar os humanos viventes aos espíritos humanos e animais que fazem parte das cosmologias indígenas. ( ) As entidades com as quais os xamãs indígenas se relacionam são deuses que encarnam ou que detêm poderes sobre fenômenos naturais e para os quais são realizados os sacrifícios e erigidos templos. A sequência correta, de cima para baixo, é:
- A)V – V – F.
Correta, porque as duas primeiras afirmativas estão certas e a terceira descreve incorretamente o xamanismo como se fosse uma religião de deuses e templos.
- B)V – F – V.
Errada, porque a segunda afirmativa é verdadeira e não falsa.
- C)F – V – V.
Errada, porque a primeira afirmativa é verdadeira e não falsa.
- D)F – F – V.
Errada, porque a primeira e a segunda afirmativas são verdadeiras.
- E)V – V – V.
Errada, porque a terceira afirmativa é falsa, já que não caracteriza adequadamente o xamanismo indígena.
Gabarito: A
O xamanismo nas terras baixas da América do Sul é, em geral, entendido como uma prática de mediação entre diferentes planos de existência. O xamã, ou pajé em muitos contextos brasileiros, não é um sacerdote de templo nem um intermediário de deuses no sentido clássico das religiões monoteístas. Ele atua como ponte entre humanos, espíritos, animais, ancestrais e outras entidades que compõem a cosmologia indígena. Por isso, a primeira afirmativa está correta: em muitos usos antropológicos, xamanismo e pajelança aparecem como termos equivalentes ou muito próximos, especialmente quando se quer destacar essa função de mediação espiritual. A segunda também é verdadeira, porque a atuação do xamã amazônico se conecta justamente a espíritos humanos e animais, além de outras forças do cosmos indígena. Já a terceira está errada. Ela descreve um modelo mais parecido com religiões teístas organizadas, com deuses dominando fenômenos naturais, sacrifícios e templos. Isso não corresponde, de forma geral, ao xamanismo indígena amazônico, que opera com outra lógica cosmológica. A antropologia costuma tratar esse tema com base em autores como Eduardo Viveiros de Castro e Carlos Fausto, que mostram essa diferença entre o pensamento indígena e categorias religiosas ocidentais. Assim, o gabarito A fica correto porque a sequência é V - V - F. Em prova, a FGV gosta muito de trocar o universo xamânico por uma imagem de religião institucionalizada, e aí mora a pegadinha.