Os anos 80 são os da globalização. Os grupos empresariais e econômicos vão alcançando tamanhos que os convertem em independentes das economias nacionais: aprendem a escapar dos seus controles. Cada vez mais, as políticas econômicas passam a ser planejadas em nível supranacional. O desenvolvimento das telecomunicações serve, entre outras coisas, para facilitar a administração das empresas internacionais, das multinacionais. Atualmente, penso que ninguém discute que viemos em uma economia global na qual “todos os processos trabalham como uma unidade em tempo real por todo o planeta. Isto é, uma economia na qual o fluxo de capital, o mercado de trabalho, o mercado, o processo de produção, a organização, a informação e a tecnologia operam simultaneamente em nível mundial” (Castells, M., 1994, p. 38). SANTOMÉ, Jurjo Torres. Globalização e interdisciplinaridade: o currículo integrado. Porto Alegre: Editora Artes Médicas Sul Ltda., 1998, p. 84. O cenário da intensificação da globalização impõe novos desafios e rumos à educação escolar. Assinale a opção que expressa uma dessas demandas.
- A)A exigência de favorecer as práticas estrangeiras.
Errada, porque não se trata de impor práticas estrangeiras, mas de formar para a compreensão crítica de um mundo interdependente.
- B)A imposição de reforçar hábitos tradicionais.
Errada, porque a globalização não pede o simples reforço de hábitos tradicionais, e sim uma leitura mais ampla e atual da realidade.
- C)O esforço para transmitir os valores hegemônicos.
Errada, pois a educação não deve apenas reproduzir valores hegemônicos; ela precisa problematizá-los e ampliar horizontes.
- D)O apoio amplo e irrestrito aos costumes locais.
Errada, porque valorizar o local é importante, mas o enunciado aponta para uma formação que ultrapassa o local e dialoga com o global.
- E)A necessidade de construir uma visão transnacional.
Certa, porque a globalização exige uma formação com visão transnacional, capaz de compreender conexões culturais, econômicas e sociais em escala mundial.
Gabarito: E
A globalização mudou o jeito de pensar a educação escolar. Quando a economia, a tecnologia, a comunicação e o trabalho passam a funcionar em escala mundial, a escola não pode continuar presa a uma lógica fechada, local e isolada. Ela precisa preparar o aluno para conviver com diferenças, circular por contextos diversos e compreender problemas que não param na fronteira do bairro, da cidade ou do país. Nesse cenário, a educação ganha uma demanda importante: formar sujeitos com visão transnacional. Isso não significa apagar a identidade local, mas ampliar o olhar para entender que vivemos em um mundo interdependente, com fluxos culturais, econômicos e informacionais que se cruzam o tempo todo. É a escola ajudando o estudante a ler o mundo, e não só a decorar o próprio quintal. Por isso, a alternativa correta é a letra E. A ideia de visão transnacional combina com os desafios da globalização porque exige uma formação capaz de dialogar com diferentes culturas, realidades e formas de produção de conhecimento. Em termos educacionais, isso aparece em propostas curriculares mais abertas, interculturais e integradoras, bem alinhadas à crítica de Santomé ao currículo fragmentado. Já as opções que falam em reforço de valores hegemônicos, práticas estrangeiras ou costumes locais vão em direção oposta ao sentido mais crítico da questão. A escola, nesse contexto, não deve apenas repetir modelos dominantes, mas ajudar o aluno a compreender a complexidade do mundo globalizado.