À educação escolar compete organizar o processo de aquisição de habilidades, atitudes e conhecimentos específicos, úteis e necessários para que os indivíduos se integrem na máquina do sistema social global. (...) A escola atua, assim, no aperfeiçoamento da ordem social vigente (o sistema capitalista), articulando-se diretamente com o sistema produtivo; para tanto, emprega a ciência da mudança de comportamento, ou seja, a tecnologia comportamental. Seu interesse imediato é o de produzir indivíduos “competentes” para o mercado de trabalho, transmitindo, eficientemente, informações precisas, objetivas e rápidas. LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da educação. São Paulo: Cortez, 2021, p. 80 (adaptado). Com base no texto e nos conhecimentos sobre as concepções acerca do papel da escola, assinale a opção que expressa corretamente a tendência educacional descrita acima.
- A)Progressista crítico-social dos conteúdos.
Errada: a progressista crítico-social dos conteúdos defende a transmissão crítica do conhecimento para compreensão da realidade, e não a adaptação eficiente ao mercado.
- B)Progressista libertadora.
Errada: a progressista libertadora, inspirada em Paulo Freire, valoriza diálogo, conscientização e transformação social, não treinamento comportamental.
- C)Liberal renovada não diretiva.
Errada: a liberal renovada não diretiva foca o desenvolvimento pessoal do aluno e a centralidade na experiência, não a formação para a máquina produtiva.
- D)Liberal tradicional.
Errada: a liberal tradicional prioriza a transmissão de conteúdos e a autoridade do professor, mas o texto destaca técnica, eficiência e ajustamento social, que não são sua marca principal.
- E)Liberal tecnicista.
Certa: a liberal tecnicista entende a escola como espaço de formação de comportamentos e competências úteis ao sistema produtivo, com ênfase em eficiência e objetividade.
Gabarito: E
O texto descreve uma escola voltada para a eficiência, para a adaptação do aluno ao sistema produtivo e para a formação de pessoas “competentes” para o mercado de trabalho. Isso é a cara da tendência liberal tecnicista, que vê a educação como instrumento de treinamento de comportamentos e habilidades úteis ao funcionamento da sociedade e da produção. Aqui, a escola não aparece como espaço de crítica social ou emancipação, mas como uma engrenagem bem ajustada do sistema. Nessa visão, o foco está em objetivos operacionais, rendimento, produtividade e controle do processo de ensino. O professor tende a ser um executor de métodos e técnicas, enquanto o aluno é preparado para responder corretamente, com rapidez e precisão. É aquela lógica de eficiência máxima, quase como se a escola fosse uma linha de montagem - só que com cadernos no lugar de esteiras. Por isso, o gabarito é a letra E. A tendência liberal tecnicista ganhou força sobretudo a partir das influências do behaviorismo e da teoria da administração científica, valorizando planejamento, objetivos comportamentais e avaliação objetiva. Em termos práticos, é a pedagogia do “ensinar para fazer” e “formar para produzir”. Na prova, sempre fique atento quando o enunciado falar em adaptação ao sistema social, produtividade, neutralidade técnica, treinamento de competências e preparação para o mercado. Esses sinais costumam apontar para a tecnicista, e a FGV gosta bastante desse vocabulário.