A inteligibilidade é a capacidade de ter consciência do que se sabe, do que se conhece, assim como do que se faz. Por vezes, vemos alguém consertar alguma coisa e, então, perguntamos: “Por que você agiu assim?” Ao que o outro responde: “A razão pela qual isso funciona desse modo eu não sei, mas sei que é assim.” Mecanicamente, sabe fazer alguma coisa, mas não sabe a razão pela qual é necessário agir dessa forma. Nesse caso, não há inteligibilidade na conduta. LUCKESI, Cipriano, Carlos. Avaliação da aprendizagem: componente do ato pedagógico. São Paulo: Cortez, 2021, p. 110. Nas situações da prática de ensino, há atividades escolares em que a noção de inteligibilidade, tal como definida pelo trecho acima, se aplica. Assinale a opção que expressa corretamente uma dessas aplicações.
- A)Na aula de matemática, a professora apresenta uma fórmula que ajuda a solucionar uma equação.
Errada, porque apresentar uma fórmula pode até facilitar a resolução, mas não garante que o aluno compreenda a lógica por trás do procedimento.
- B)Na aula de artes, a professora mostra como as cores secundárias se compõem a partir das primárias.
Certa, porque a relação entre cores primárias e secundárias exige compreensão da composição e do porquê do resultado.
- C)Na aula de música, o professor solicita que se memorize a letra do Hino à Bandeira.
Errada, porque memorizar letra de hino é uma atividade de repetição, sem necessidade de compreender a razão do conteúdo ou do processo.
- D)Na aula de língua inglesa, a professora pede que se repita os pronomes pessoais.
Errada, porque repetir pronomes pessoais trabalha fixação mecânica, não a compreensão do funcionamento da língua.
- E)Na aula de educação física, o professor exige que se façam alongamentos antes da prática de esportes.
Errada, porque fazer alongamentos antes do esporte é uma orientação prática, mas a alternativa não destaca compreensão do motivo, apenas cumprimento da regra.
Gabarito: B
A ideia central do trecho de Luckesi é simples: há aprendizagem com inteligibilidade quando voce não apenas executa um procedimento, mas entende por que ele funciona e quando faz sentido aplicá-lo. Em outras palavras, não basta repetir um gesto, uma regra ou uma sequência como se fosse receita de bolo. É preciso haver consciência do que se sabe e do que se faz. Na prática pedagógica, isso aparece muito quando a atividade exige compreensão de relações, causas e critérios, e não só memorização mecânica. A criança pode até decorar uma resposta, mas se não entende a lógica por trás, ainda não houve inteligibilidade plena. Esse olhar é muito próximo da avaliação formativa defendida por Luckesi, que valoriza a compreensão do processo, e não apenas o acerto final. Por isso, o gabarito é a letra B. Quando a professora mostra como as cores secundárias se formam a partir das primárias, ela está levando o aluno a perceber a relação entre os elementos, isto é, a entender a origem do resultado. Aqui, o aluno pode compreender o processo de composição das cores, não apenas decorar nomes de cores. Já as alternativas que pedem memorização, repetição ou execução automática fogem dessa ideia. Elas podem até ter utilidade didática em alguns momentos, mas não representam inteligibilidade no sentido do texto, porque faltou a consciência do porquê. É o famoso "sei fazer, mas não sei explicar".