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Pedagogia · FGV · 2025

Questão comentada de Pedagogia

Se durante todo este século pudermos constatar que os sistemas educacionais não permaneceram indiferentes ante as mudanças nos modos de produção e gestão empresariais, é lógico pensar que as soluções propugnadas pelo toyotismo também tenham deixado sua marca no sistema educacional. Para compreender as reformas e inovações educacionais, é preciso desvelar as razões e discursos nos quais se baseiam. Tanto as políticas de reforma educacional oriundas da Administração quanto as modas pedagógicas estão impregnadas de discursos, ideais e interesses gerados e compartilhados por outras esferas da vida econômica e social. Se as crises nos modelos de produção e distribuição capitalista vão sendo resolvidas gradualmente, em um primeiro momento, mediante a aplicação de princípios tayloristas e fordistas, e posteriormente com novas adaptações e mesmo, atualmente, com a gestão de novas fórmulas como o toyotismo, é previsível pensar que algo semelhante pode estar ocorrendo também nos sistemas escolares. Cada modelo de produção e distribuição requer pessoas com determinadas capacidades, conhecimentos, habilidades e valores; e sobre isso os sistemas educacionais têm muito a dizer. SANTOMÉ, Jurjo Torres. Globalização e interdisciplinaridade: o currículo integrado. Porto Alegre: Editora Artes Médicas Sul Ltda., 1998, p. 20. Considerando a reflexão proposta pelo trecho em destaque, assinale a opção que o interpreta corretamente.

Gabarito: C

O texto do Santomé chama atenção para uma ideia bem importante em políticas educacionais: a escola não vive em uma bolha. Quando a economia muda, especialmente o modo de produzir, organizar e cobrar resultados, isso costuma repercutir na educação. É por isso que o autor relaciona taylorismo, fordismo e toyotismo com reformas escolares: cada modelo produtivo pede certo tipo de trabalhador e, em seguida, pressiona a escola a formar esse perfil. No toyotismo, por exemplo, aparecem valores como flexibilidade, adaptação, trabalho em equipe, polivalência e busca por eficiência. Esses elementos acabam influenciando discursos sobre currículo, gestão escolar e competências. Em vez de pensar a educação como algo isolado, o trecho mostra que ela dialoga com interesses econômicos e sociais mais amplos. Por isso, o gabarito é a letra C. A afirmação correta é que existe interdependência entre a esfera econômica e a esfera educacional. Em outras palavras: a escola influencia a sociedade, mas também é influenciada pelos rumos da produção, do mercado de trabalho e das formas de organização do capital. Essa leitura é muito comum em estudos críticos de currículo e políticas educacionais, como os de Jurjo Torres Santomé, que destacam como as reformas escolares podem carregar a marca das demandas do mundo do trabalho. A prova quer exatamente essa percepção de conexão entre economia e educação, e não uma relação de subordinação simples ou de separação total entre os dois campos.

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