Sabemos que a aprendizagem é um processo de assimilação de conhecimentos escolares por meio da atividade própria dos alunos. Podemos dizer, agora, que essa atividade é o estudo dos conteúdos das matérias e dos modos de resolver as tarefas práticas que lhes correspondem. Os conteúdos representam o elemento determinante em torno do qual se realiza a atividade de estudo. A aprendizagem não resulta apenas de necessidades e interesses internos da criança, nem é um processo no qual as crianças escolhem o que querem fazer; é, antes, um processo no qual elas vão desenvolvendo e modificando suas forças físicas e mentais por influência de conhecimentos e atividades vindos de fora, da experiência humana acumulada pelas gerações ao longo da História. LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 2017, p. 143. De acordo com o trecho supracitado, é correto afirmar que
- A)a aprendizagem é um processo cujo protagonista é o professor.
Errada: o professor é importante como mediador, mas o protagonista da aprendizagem é o aluno, que realiza a atividade de estudo.
- B)os interesses internos da criança são irrelevantes para a aprendizagem.
Errada: os interesses internos da criança influenciam, mas não são suficientes nem irrelevantes; o texto destaca também a influência dos conteúdos externos.
- C)na aprendizagem, o acúmulo de saberes históricos tem ressonâncias na criança.
Certa: o trecho afirma que a aprendizagem decorre da experiência humana acumulada historicamente, que atua sobre a criança.
- D)os alunos são inteiramente responsáveis pela assimilação dos conteúdos escolares.
Errada: os alunos não são os únicos responsáveis, porque a aprendizagem depende da mediação pedagógica e dos conteúdos escolares.
- E)a modificação das crianças no processo de aprendizagem ocorre através de inclinações subjetivas.
Errada: o texto rejeita a ideia de que a mudança ocorre apenas por inclinações subjetivas; ele destaca a influência de conhecimentos vindos de fora.
Gabarito: C
O trecho segue uma visão bem típica de José Carlos Libâneo: aprender não é simplesmente “deixar a criança livre” nem transformar o professor em mero figurante. A aprendizagem acontece quando o aluno realiza uma atividade própria de estudo, mas essa atividade é orientada pelos conteúdos escolares e pelos saberes acumulados historicamente pela humanidade. Perceba o ponto central: os conhecimentos não nascem só do interesse imediato da criança. Eles vêm de fora, da cultura, da experiência humana e da mediação pedagógica. É por isso que a escola existe: para colocar o aluno em contato com conteúdos que ampliam sua forma de pensar, sentir e agir. Assim, o gabarito é a letra C porque o texto afirma exatamente que o acúmulo de saberes históricos tem efeito no desenvolvimento da criança. Em outras palavras, a experiência humana acumulada pelas gerações vai repercutir nela, modificando suas forças físicas e mentais. Esse entendimento é coerente com a Didática de Libâneo, que valoriza a centralidade dos conteúdos e da mediação docente no processo de ensino-aprendizagem. Não é uma aprendizagem “solta no vento”; é uma aprendizagem socialmente organizada, com o aluno ativo, mas em contato com o patrimônio cultural da humanidade.