No exemplo a seguir, o aprendiz começa a diferenciar letras de números, desenhos ou símbolos e reconhece o papel das letras na escrita. Percebe que elas servem para escrever, mas não sabe como isso ocorre. Baseando-se nos estudos da psicogênese da linguagem escrita, é correto interpretar que o aprendiz está no nível
- A)pré-silábico.
Correta, porque descreve a fase em que a criança reconhece a função social das letras, mas ainda não compreende a relação entre escrita e pauta sonora.
- B)silábico inicial.
Errada, pois no silábico inicial a criança já tende a representar cada sílaba com uma letra, e isso ainda não aparece no enunciado.
- C)silábico com valor sonoro.
Errada, porque no silábico com valor sonoro a criança já atribui sons às letras usadas, o que vai além da simples distinção entre letras e outros sinais.
- D)silábico-alfabético.
Errada, pois no silábico-alfabético a criança alterna critérios silábicos e alfabéticos, mostrando avanço maior do que o descrito.
- E)alfabético.
Errada, porque no nível alfabético a correspondência entre fonemas e grafemas já está consolidada, e isso ainda não ocorre aqui.
Gabarito: A
Na psicogênese da língua escrita, Ferreiro e Teberosky mostram que a criança não aprende a escrever de uma vez; ela vai construindo hipóteses sobre o sistema. É como se ela fosse testando: primeiro percebe que existe diferença entre desenho, número, letra e símbolo, depois tenta entender para que serve cada um. Esse caminho é o coração da questão. No nível pré-silábico, a criança já sabe que a escrita representa a fala e que as letras servem para escrever, mas ainda não compreende a relação entre a quantidade de letras e os sons da palavra. Ela pode produzir traços, letras aleatórias ou sequências com aparência de escrita, sem correspondência sonora estável. Por isso, o enunciado descreve exatamente esse estágio: o aprendiz começa a diferenciar letras de números, desenhos ou símbolos, reconhece a função das letras na escrita, mas ainda não sabe como a escrita funciona de fato. Essa é a cara do pré-silábico, antes de a criança perceber a lógica silábica. Vale lembrar: nos níveis seguintes, a criança passa a usar uma letra por sílaba, depois começa a relacionar sons e letras com mais precisão, até chegar à escrita alfabética. Aqui, porém, ainda estamos no começo da viagem, onde a escrita já faz sentido como objeto, mas ainda não como sistema sonoro.