Com relação ao pensamento de Paulo Freire, avalie as afirmativas a seguir. I. O modo como se organizam as relações no ambiente escolar reflete uma posição política em relação às estruturas sociais. II. A transferência de conhecimentos do professor para o aluno é a ferramenta mais adequada para a sua conscientização. III. A educação é uma forma de exercício de liberdade e de humanidade para os que estão em posição social de subalternidade. Está de acordo com o pensamento do autor o que se afirma em
- A)I, II e III.
Essa alternativa reúne as três afirmativas: a dimensão política das relações escolares, a ideia de transferência de conhecimentos como caminho para conscientização e a educação como exercício de liberdade para os subalternizados. Em Freire, I e III convergem com a noção de educação como prática política e emancipadora, mas a II entra em choque com a crítica à educação bancária, na qual o professor apenas deposita conteúdos no aluno. A conscientização, para o autor, nasce do diálogo problematizador e da leitura crítica do mundo, não da simples transmissão vertical de saberes.
- B)I e II, apenas.
Aqui se afirma que a escola expressa uma posição política nas relações internas e que a melhor ferramenta para conscientização é a transferência de conhecimentos do professor ao aluno. A primeira ideia está de acordo com Paulo Freire, porque ele sustenta que não existe educação neutra e que toda prática pedagógica se vincula a um projeto de sociedade. Já a segunda contraria diretamente sua crítica à educação bancária, substituindo o diálogo e a problematização por uma transmissão unilateral que não produz conscientização crítica.
- C)I e III, apenas.
Essa alternativa seleciona as afirmativas I e III, que correspondem a pontos centrais do pensamento de Paulo Freire. A I é correta porque o autor entende a organização da escola como expressão de uma opção política, e a III também é correta ao associar a educação à humanização e à libertação dos sujeitos em condição de opressão. Por isso, a combinação fica completa e coerente com a pedagogia freireana.
- D)II e III, apenas.
A alternativa afirma que a transferência de conhecimentos do professor para o aluno e a dimensão libertadora da educação para os subalternizados seriam as duas ideias válidas. A parte final dialoga com Freire, que vê a educação como prática de liberdade e humanização, especialmente para os oprimidos. Contudo, a primeira parte está em desacordo com sua recusa à educação bancária, pois conscientização não se obtém por depósito de conteúdos, mas por diálogo crítico e participação ativa do educando.
- E)III, apenas.
Aqui se sustenta apenas que a educação é uma forma de liberdade e de humanização para quem está em posição de subalternidade. Essa afirmação está correta e expressa bem a visão de Freire sobre a educação como prática de emancipação dos oprimidos. O problema é que a assertiva I também está correta, porque a escola e suas relações internas têm um sentido político, de modo que a alternativa fica incompleta.
Gabarito: C
Paulo Freire entende a educação como um ato político e nunca como algo neutro. Por isso, a forma como a escola organiza suas relações, quem fala, quem escuta, quem decide e quem participa, revela uma posição diante da sociedade. A escola pode reproduzir desigualdades ou pode ajudar a superá-las - e isso já é um posicionamento político. A afirmativa II está errada porque Freire critica a chamada educação bancária, na qual o professor "deposita" conteúdos no aluno, como se ele fosse um cofre vazio. Para Freire, conscientização não nasce de transferência passiva de conhecimento, mas do diálogo, da problematização da realidade e da participação ativa do educando. A afirmativa III está de acordo com o autor. Para Paulo Freire, a educação é prática de liberdade: ela ajuda sujeitos historicamente oprimidos a ler o mundo, perceber as opressões e agir para transformá-las. É uma ideia central da sua pedagogia crítica, muito presente em obras como "Pedagogia do Oprimido". Assim, o gabarito C está correto porque apenas as afirmativas I e III refletem o pensamento freireano. A II inverte a lógica do autor, trocando diálogo e emancipação por transmissão vertical de conteúdos.