A formação do aluno jamais acontecerá pela assimilação de discursos, mas sim por um processo microssocial em que ele é levado a assumir posturas de liberdade, respeito, responsabilidade, ao mesmo tempo em que percebe essas mesmas práticas nos demais membros que participam deste microcosmo com que se relaciona no cotidiano. Uma aula de qualquer disciplina constitui-se, assim, em parte do processo de formação do aluno, não pelo discurso que o professor possa fazer, mas pelo posicionamento que assume em seu relacionamento com os alunos, pela participação que suscita neles, pelas novas posturas que eles são chamados a assumir. ALVES, N.; GARCIA, R, L. O sentido da escola. Rio de Janeiro: DP&A, 2002, p. 20. O trecho em destaque faz alusão a uma concepção de ensino que
- A)cultiva a construção de posturas éticas através dos discursos.
Errada, porque o texto diz que a formação não ocorre pela assimilação de discursos, mas pela vivência concreta de posturas e práticas.
- B)propaga saberes acumulados como meio para formar sujeitos.
Errada, porque o trecho não destaca apenas a transmissão de saberes acumulados, e sim a formação de atitudes no cotidiano escolar.
- C)descentra a noção de instrução da capacidade criadora do aluno.
Errada, porque a ideia central não é reduzir a instrução nem opor o ensino à criatividade do aluno, mas ampliar a formação para além do conteúdo.
- D)concentra-se não apenas em saberes, mas também em atitudes e valores.
Certa, pois o texto afirma que a escola forma também por atitudes, relações e valores vividos no microcosmo da sala de aula.
- E)prima pela transmissão de valores morais cristalizados na sociedade.
Errada, porque o trecho não fala em moralização cristalizada, e sim em práticas cotidianas de liberdade, respeito e პასუხისმგabilidade construídas na convivência.
Gabarito: D
O trecho trabalha a ideia de que educar não é só repassar conteúdo como se o aluno fosse um cofre vazio. A formação acontece também no cotidiano da escola, nas relações, nos exemplos e nas práticas que circulam na sala de aula. Em outras palavras, o aluno aprende matemática, história e ciências, mas também aprende a conviver, respeitar, participar e assumir responsabilidades. Essa visão é muito ligada à dimensão microssocial da educação: o que o professor faz, como se relaciona com a turma e que tipo de ambiente constrói tem efeito formativo real. A aula, então, não forma apenas pelo discurso bonito, mas pelo modo como organiza participação, cooperação, escuta e convivência. Por isso, o gabarito é a letra D. Ela acerta ao mostrar que o ensino não se limita a saberes cognitivos, porque inclui atitudes e valores que são vividos na prática escolar. O texto valoriza exatamente essa formação integral, em que conteúdo e convivência caminham juntos. Em termos doutrinários, isso conversa com uma educação voltada ao desenvolvimento integral da pessoa, ideia muito presente na LDB (art. 2º), que afirma que a educação visa ao pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Ou seja: escola não é só “conteudodromo”; também é espaço de formação humana.