As afirmativas a seguir a respeito das teorias e práticas de alfabetização em diferentes momentos históricos, estão corretas, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Nos anos 1960, Paulo Freire criticou os processos alienantes de ensino e promoveu uma alfabetização como leitura de mundo, respeitando o ritmo de cada aprendiz na aquisição progressiva e cumulativa de letras, sílabas, palavras e textos.
Errada, porque Paulo Freire não reduzia a alfabetização à sequência mecânica de letras, sílabas, palavras e textos, mas a entendia como leitura crítica de mundo.
- B)Nos anos 1970, as pesquisas psicogenéticas de Emília Ferreiro mostraram que a criança tem ideias e cria hipóteses sobre o código escrito, descrevendo os estágios linguísticos percorridos até a aquisição da leitura e da escrita.
Certa, pois Emília Ferreiro mostrou que a criança constrói hipóteses sobre a escrita e passa por níveis de compreensão do sistema alfabético.
- C)Nos anos 1980, a linguística estabeleceu a legitimidade dos diferentes modos de falar e contribuiu para questionar a ideia de que a correção linguística, conforme os padrões da norma culta, deveria ser um pré-requisito para a alfabetização.
Certa, porque os estudos linguísticos ajudaram a combater o preconceito linguístico e a ideia de que a norma culta seria pré-requisito para alfabetizar.
- D)Nos anos 1980, as traduções dos estudos psicológicos de Vygotsky e de seus colaboradores inseriram a aprendizagem em um contexto sócio-histórico, qualificando a língua como um objeto cultural.
Certa, pois a leitura de Vygotsky insere a aprendizagem no contexto sócio-histórico e trata a linguagem como objeto cultural.
- E)Nos anos 1990, os estudos sobre letramento promoveram um debate sobre o conceito de alfabetização, para alguns definida como a articulação entre a aquisição do código e a condição de quem se torna o usuário da língua.
Certa, já que os estudos de letramento ampliaram o debate sobre alfabetização, ligando o domínio do código ao uso social da língua.
Gabarito: A
A questão mistura momentos importantes da história da alfabetização no Brasil e pede que voce identifique a afirmativa que destoa do conjunto. Aqui, o ponto central é perceber que cada período trouxe uma mudança de foco: de uma visão mais mecânica da aprendizagem da escrita para abordagens que consideram a criança, a linguagem e o contexto social. A alternativa A está errada porque atribui a Paulo Freire uma ideia de alfabetização como sequência progressiva e cumulativa de letras, sílabas, palavras e textos. Isso não combina com a proposta freireana. Para Freire, alfabetizar é muito mais do que juntar sílabas: é ler o mundo, problematizar a realidade e partir da experiência do educando. Sua obra critica justamente os modelos bancários e alienantes de ensino. As demais alternativas estão alinhadas com marcos bem conhecidos: Emília Ferreiro mostrou que a criança pensa sobre a escrita e formula hipóteses; os estudos linguísticos dos anos 1980 ajudaram a combater o preconceito contra variedades linguísticas e a ideia de que só a norma culta serve para alfabetizar; Vygotsky reforçou a aprendizagem como processo sócio-histórico; e, nos anos 1990, o debate sobre letramento ampliou a noção de alfabetização para além do simples domínio do código. Em resumo: a banca quer ver se voce distingue alfabetização tradicional de alfabetização crítica e socialmente situada. Freire não defendia um caminho de decoreba de letras em fila, e sim uma leitura consciente da realidade, com a palavra ligada à vida.