É que, se os homens são estes seres da busca e se sua vocação ontológica é humanizar-se, podem, cedo ou tarde, perceber a contradição em que a “educação bancária” pretende mantê-los e engajar-se na luta por sua libertação. FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 2005, p. 71. Acerca da noção freireana de educação bancária, assinale a afirmativa correta.
- A)Constitui a vocação ontológica dos homens.
Errada: a vocação ontológica dos homens, para Freire, é humanizar-se, e a educação bancária é justamente uma negação desse processo.
- B)Alia-se à postura do educador humanista.
Errada: a postura do educador humanista se associa ao diálogo e à problematização, não ao depósito mecânico de conteúdos.
- C)Supõe horizontalidade entre educador e educandos.
Errada: a horizontalidade entre educador e educandos é traço da educação problematizadora, enquanto a educação bancária é vertical.
- D)Diz respeito à superação de um antagonismo histórico.
Errada: a superação do antagonismo histórico é objetivo da pedagogia libertadora, não da educação bancária.
- E)Está a serviço de uma estrutura de opressão.
Certa: a educação bancária funciona como instrumento de manutenção da passividade e, por isso, serve a uma estrutura de opressão.
Gabarito: E
Paulo Freire chama de educação bancária o modelo em que o professor "deposita" conteúdos no aluno, como se o educando fosse um cofre vazio. Nesse esquema, o estudante recebe, memoriza e reproduz, mas participa pouco da construção do saber. É uma educação vertical, autoritária e desumanizadora, bem distante da pedagogia problematizadora defendida por Freire. A lógica bancária combina com relações de poder assimétricas: um fala, o outro obedece; um sabe, o outro apenas escuta. Por isso ela não serve à libertação, mas à manutenção da passividade e da acomodação. Freire critica exatamente esse uso da educação como instrumento de domesticação, em vez de formação crítica. A alternativa correta é a que relaciona essa noção a uma estrutura de opressão. Isso porque a educação bancária não é neutra: ela ajuda a preservar a ordem social excludente, impedindo que os educandos percebam a própria condição e se tornem sujeitos históricos. Em resumo, é o tipo de aula em que o aluno vira arquivo, não protagonista. Na obra Pedagogia do Oprimido, Freire opõe a educação bancária à educação problematizadora, que valoriza diálogo, consciência crítica e práxis. Portanto, quando a questão fala em opressão, está bem alinhada ao núcleo da teoria freireana.