Para Durkheim, ao estudar fenômenos religiosos, a sociologia deve buscar os “elementos permanentes que constituem o que há de eterno na religião”. Para tanto, o sociólogo propõe deixar de lado “nossa concepção de religião em geral, e considerar as religiões em sua realidade concreta, destacando o que elas podem ter em comum; pois a religião só pode ser definida em função das características que se encontram em toda parte onde houver religião”. Adaptado de Durkheim, E. As Formas Elementares da Vida Religiosa. São Paulo: Martins Fontes, 2003, p. X e 4. Em seu estudo sociológico do fenômeno religioso, Durkheim
- A)procede dedutivamente, partindo de uma definição a priori de religião.
Errada, porque Durkheim não parte de uma definição a priori de religião, mas de uma investigação empírica das religiões reais.
- B)define a religião em função do seu caráter sobrenatural, misterioso e insondável à racionalidade humana.
Errada, porque ele não define religião pelo sobrenatural ou pelo mistério, e sim por suas funções e elementos sociais.
- C)adota uma abordagem analítica, que considera a universalidade e a singularidade do fenômeno religioso, decomposto em partes elementares.
Certa, porque Durkheim compara religiões concretas, identifica o que é comum e decompõe o fenômeno em elementos fundamentais.
- D)enquadra a diversidade cultural do fenômeno religioso em um modelo pré-concebido de religião.
Errada, porque ele não força a diversidade religiosa em um modelo pré-concebido; faz o movimento inverso, a partir da observação dos casos.
- E)compreende a religião como uma experiência subjetiva fundada na ideia de Deus ou de algum outro ser espiritual superior.
Errada, porque essa visão é mais próxima de uma abordagem subjetiva ou teológica, não da sociologia durkheimiana.
Gabarito: C
Durkheim parte de uma ideia bem importante: antes de definir a religião, ele prefere olhar para as religiões concretas, isto é, para exemplos reais e historicamente existentes. Em vez de começar com uma noção pronta na cabeça, ele compara diferentes manifestações religiosas para descobrir o que elas têm em comum e o que permanece em todas elas. Essa postura é típica de uma análise sociológica: observar, comparar, decompor o fenômeno em seus elementos básicos e, só depois, chegar a uma definição mais geral. Por isso, ele fala em buscar os “elementos permanentes” da religião, ou seja, aquilo que se repete apesar da diversidade cultural e histórica. O gabarito é a letra C porque ela descreve exatamente esse método: uma abordagem analítica que considera ao mesmo tempo a universalidade do fenômeno religioso e suas formas singulares, chegando aos componentes elementares. Durkheim não quer encaixar a religião em uma ideia prévia; ele quer extrair a essência a partir dos casos concretos. Em resumo: aqui o caminho é olhar para a realidade, comparar e separar o essencial do acidental. É quase o oposto de começar com a resposta pronta no bolso.