Grupos dominantes impõem valores e normas como supostamente naturais por meio de instituições como a escola, levando os demais a internalizarem e reproduzirem sua própria subordinação sem perceberem. A descrição acima corresponde ao conceito de
- A)dominação carismática, de Max Weber.
Errada: dominação carismática é um tipo de dominação legítima em Max Weber, ligada ao carisma do líder, e não à imposição simbólica de valores pela escola.
- B)violência simbólica, de Pierre Bourdieu.
Certa: violência simbólica, em Bourdieu, é a imposição de significados e normas do grupo dominante como se fossem naturais e legítimos.
- C)condicionamento operante, de B.F. Skinner.
Errada: condicionamento operante é um conceito da psicologia behaviorista de Skinner, relacionado a reforço e punição, não à reprodução social pela escola.
- D)eficácia simbólica, de Claude Lévi-Strauss.
Errada: eficácia simbólica é um conceito ligado a Lévi-Strauss e à antropologia, referindo-se ao poder de sistemas simbólicos, não ao mecanismo descrito no enunciado.
- E)habitus, de Michel Foucault.
Errada: habitus é um conceito de Bourdieu, mas não de Michel Foucault; além disso, habitus não é a descrição central de imposição simbólica feita pela escola.
Gabarito: B
A questão trata de um conceito clássico da Sociologia da Educação: a ideia de que a escola pode ajudar a naturalizar diferenças sociais, fazendo parecer que certos valores, gostos e formas de falar são "normais" e superiores, quando na verdade refletem a visão do grupo dominante. Isso é muito associado a Pierre Bourdieu, que mostrou como a cultura da classe dominante entra na escola como se fosse neutra, mas na prática favorece quem já chega com esse repertório em casa. Quando a escola valoriza determinado jeito de escrever, se expressar, se comportar ou interpretar o mundo, ela pode acabar premiando quem já domina esse código social. Os demais, em vez de perceberem a regra do jogo, muitas vezes sentem que o fracasso é culpa individual. É aí que a dominação fica elegante, silenciosa e eficiente - quase uma cobrança disfarçada de mérito. Esse processo recebe o nome de violência simbólica. Ela não é violência física nem explícita, mas uma imposição de significados, normas e valores que leva os sujeitos a reconhecerem como legítima a ordem social que os desfavorece. Na escola, isso aparece quando a cultura dominante vira padrão e as outras são tratadas como menos válidas. Por isso o gabarito é a letra B. Bourdieu é o autor mais lembrado quando o assunto é reprodução social, capital cultural e violência simbólica na educação. A banca FGV gosta bastante desse tipo de associação entre escola, desigualdade e naturalização da dominação.