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Pedagogia · FGV · 2025

Questão comentada de Pedagogia

Para Freud, em 1908, o jogo é o primeiro vestígio da atividade poética, a infância da arte. Reencontramos a visão romântica da criança que joga: “toda criança que joga se comporta como poeta, enquanto cria um mundo para si, ou, mais exatamente, transpõe as coisas do mundo em que vive para uma ordem nova que lhe convém”. A importância do jogo e sua seriedade estão ligadas ao investimento psíquico (afetos) que ela manifesta. O jogo, como o sonho acordado, se opõe à realidade (“o contrário do jogo não é a seriedade, mas a realidade”); a diferença mínima é que ele se apoia em uma realidade para fazer dela outra coisa. A referência ao jogo ajuda a circunscrever a especificidade desse comportamento, que permite projetar um mundo conforme as aspirações do psiquismo, sem os entraves devidos à realidade. Desse ponto de vista, o poeta e a criança tem uma atividade semelhante, em que predomina o imaginário: “O poeta faz como a criança que joga; cria um mundo imaginário que leva muito a sério, isto é, que dota de grandes qualidades de afetos, distinguindo-o claramente da realidade”. BROUGÈRE, Gilles. Jogo e educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998, p. 90. Com base no trecho acima, é correto afirmar que

Gabarito: B

O trecho trabalha uma ideia bem conhecida em Freud: o jogo infantil não é mero passatempo, mas uma atividade em que a criança cria um mundo próprio, reorganizando a realidade conforme seus desejos e fantasias. Por isso, o texto aproxima o jogo da poesia: ambos envolvem imaginação, criação e uma espécie de "transposição" do real para outra ordem simbólica. A chave da questão está aqui: o jogo, assim como o sonho acordado, não é o oposto da seriedade, e sim da realidade. Ou seja, a criança brinca com muita intensidade psíquica, investindo afeto naquilo que cria. Freud vê nisso um parentesco com o fazer poético, porque o poeta também inventa um mundo imaginário que leva a sério. Então, quando a alternativa afirma que poesia e jogo se assemelham na transposição da realidade, ela está captando exatamente a ideia central do trecho. É uma leitura muito fiel ao texto de Brougère, que retoma Freud para mostrar essa ponte entre brincar, imaginar e criar. Em prova, a FGV costuma cobrar essa comparação fina entre termos parecidos, mas com sentidos diferentes. Aqui, o pulo do gato é perceber que o texto não opõe jogo e sonho, nem faz o jogo virar sinônimo de seriedade ou de realidade: ele destaca a criação imaginária como ponto de encontro entre criança e poeta.

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