O ideário freireano insistia na ideia de que todo ato educativo é um ato político e que o “educador humanista revolucionário”, ombreado com os oprimidos, deveria colocar sua ação político-pedagógica a serviço da transformação da sociedade e da “criação do homem novo”. GHIRALDELLI JUNIOR, Paulo. História da educação brasileira [livro eletrônico]. 1. Ed. São Paulo: Cortez, 2021. A respeito da proposta pedagógica de Paulo Freire, assinale a opção correta.
- A)A educação deveria problematizar as situações vividas pelos educandos com vistas a despertar uma consciência crítica, promotora de uma prática de libertação.
Correta, porque expressa a problematização da realidade vivida e a formação de consciência crítica com finalidade libertadora.
- B)O primeiro passo do processo educacional deve ser a problematização, tornando evidentes os incômodos da realidade.
Errada, porque em Freire a problematização não é o primeiro passo isolado, mas parte de um processo dialógico e de leitura crítica do mundo.
- C)É papel do educador auxiliar na promoção da passagem da consciência crítica na qual se encontram os educandos, para a consciência ingênua.
Errada, porque o objetivo é avançar da consciência ingênua para a consciência crítica, e não o contrário.
- D)O método da pedagogia freireana fundamenta-se na exposição verbal do professor, a partir do qual os educandos conquistam sua autonomia crítica.
Errada, porque Freire critica a educação baseada na exposição verbal do professor, típica da educação bancária.
- E)A conscientização social, fim último da educação, é alcançada através da transmissão de saberes do educador para o educando, que os recebe de maneira alegre.
Errada, porque a conscientização não decorre da mera transmissão de saberes, mas do diálogo, da reflexão crítica e da práxis.
Gabarito: A
Paulo Freire é o nome mais cobrado quando o assunto é educação crítica, diálogo e emancipação. Para ele, ensinar não é “depositar” conteúdos na cabeça do aluno, como se o educando fosse uma conta vazia de banco. A educação precisa partir da realidade vivida pelo estudante e problematizar essa realidade, para que ele leia o mundo, perceba as relações de opressão e se torne sujeito da própria transformação. Isso aparece com força na ideia de conscientização: o educando vai saindo de uma visão ingênua e chegando a uma compreensão crítica da realidade. Essa passagem acontece por meio do diálogo, da reflexão e da práxis, isto é, ação e reflexão juntas. Em Freire, aprender não é decorar, é interpretar a realidade para agir sobre ela. Por isso, a alternativa A está correta: ela diz que a educação deve problematizar as situações vividas pelos educandos para despertar consciência crítica e favorecer uma prática de libertação. Esse é exatamente o coração da pedagogia freireana, especialmente em Pedagogia do Oprimido. A educação, aqui, não é neutra: ela tem sentido político e humanizador. As demais opções escorregam para o lado oposto do pensamento de Freire, sobretudo quando falam em transmissão de saber, exposição verbal central do professor ou passagem da consciência crítica para a ingênua. Em Freire, é justamente o contrário: a escola deve superar a educação bancária e promover autonomia, diálogo e transformação social.