A respeito da Área de Linguagens e suas Tecnologias, o Referencial Curricular para o Ensino Médio de Rondônia afirma que “tradicionalmente, associava-se o conhecimento da linguagem à memorização de classificações gramaticais, ao domínio de classes de palavras ou à análise sintática”. Já de acordo com o documento, a linguagem é
- A)um sistema de regras cujo domínio possibilita a correção na leitura e elaboração de textos.
Errada, porque reduz a linguagem a um sistema de regras e correção formal, visão tradicional superada pelo documento.
- B)uma prática social de que articula sentidos em situações coletivas de interação.
Certa, pois a linguagem é entendida como prática social que produz sentidos nas interações e nos diferentes contextos de uso.
- C)uma habilidade que se aprende por meio da análise formal de obras literárias canônicas.
Errada, porque limita a linguagem à análise de obras literárias canônicas e à aprendizagem formal, o que é estreito demais.
- D)um instrumento técnico cujo ensino deve priorizar os novos usos junto a ferramentas tecnológicas.
Errada, porque embora a tecnologia seja importante, o documento não trata a linguagem como mero instrumento técnico nem restringe seu ensino a isso.
- E)um código que visa transmitir informações de forma clara e objetiva, independentemente do contexto.
Errada, porque define a linguagem como código neutro e universal, independentemente do contexto, o que contraria a visão social e situada do texto.
Gabarito: B
No Referencial Curricular para o Ensino Médio de Rondônia, a ideia central da Área de Linguagens e suas Tecnologias rompe com aquela visão antiga de língua como um monte de regras para decorar. Em vez de tratar linguagem como lista de classes gramaticais ou como caça ao erro, o documento a apresenta como algo vivo, usado nas interações do dia a dia para produzir sentidos, participar da vida social e agir no mundo. Em outras palavras: linguagem não é só forma, é uso em contexto. Isso combina com a perspectiva hoje dominante nas diretrizes curriculares, em especial a Base Nacional Comum Curricular, que entende a linguagem como prática de interação social, marcada por intenções, contextos, gêneros textuais e diversidade de usos. Assim, o foco do ensino deixa de ser apenas a memorização e passa a ser a leitura, a escrita, a oralidade, a análise crítica e a participação em diferentes situações comunicativas. Por isso, a alternativa B está correta: ela descreve a linguagem como uma prática social que articula sentidos em situações coletivas de interação. É exatamente a lógica do documento, que valoriza o estudante como sujeito que usa a linguagem para comunicar, interpretar, argumentar e conviver. Se a língua fosse só um sistema fechado de regras, ela pareceria um manual de montagem. Mas, na escola e na vida, ela funciona muito mais como ferramenta de convivência e construção de significado.