Leia o trecho a seguir. Os atos de reconhecer e ser reconhecido são eminentemente humanos, por isso possuem um caráter político-pedagógico, constituindo nossa condição humana de criação e reconstrução de saberes em que o outro é parte imprescindível. Ao inserirmos a compaixão, a empatia e a dignidade humana como princípios da arte de educar, nos damos conta de que a exclusão dos outros significa a redução da capacidade de apreender de nós mesmos. HABOWSKI, A. C.; CONTE, E.; PUGENS, N. de B. A perspectiva da alteridade na educação. Conjectura, Caxias do Sul, v. 23, nº 1, p. 179-197, jan./abr. 2018. Sobre a importância do reconhecimento da alteridade no processo educacional, assinale a opção que reflete, corretamente, o que se afirma no trecho acima.
- A)A inclusão do outro é uma concessão que promove a abertura do processo para mais pessoas.
Errada, porque incluir o outro não é concessão, mas parte constitutiva e necessária do processo educativo.
- B)O reconhecimento é uma forma de reduzir a alteridade e tornar a educação igualitária.
Errada, porque reconhecer a alteridade não reduz a diferença; ao contrário, preserva e valoriza a presença do outro.
- C)A empatia é um valor acessório para um processo cujo caráter fundamental é cognitivo.
Errada, porque a empatia não é acessória: ela integra o próprio sentido humanizador da educação.
- D)A riqueza do aprendizado depende da inclusão do outro como parte intrínseca do processo.
Certa, porque o texto afirma que o aprendizado se enriquece quando o outro é incluído como parte intrínseca do processo.
- E)A exclusão do outro facilita o aprendizado de alguns e reafirma as desigualdades existentes.
Errada, porque a exclusão do outro empobrece o aprendizado e contradiz a proposta de reconhecimento e dignidade humana.
Gabarito: D
A ideia central do texto é que educar não é só transmitir conteúdo, mas construir conhecimento com o outro. Quando a autora fala em reconhecimento, alteridade, empatia e dignidade, ela está dizendo que a relação pedagógica ganha força quando o estudante não é visto como figurante, mas como parte real do processo. Em outras palavras: aprender é também se reconhecer no encontro com quem pensa, sente e vive diferente de voce. Na educação, a alteridade significa perceber e respeitar a existência do outro em sua diferença, sem tentar apagá-la. Isso combina com uma visão humanizadora do ensino, muito próxima de autores como Paulo Freire, para quem o processo educativo é dialógico, e também de abordagens éticas contemporâneas que valorizam a convivência, o respeito e a construção compartilhada do saber. Por isso, o gabarito é a letra D. Ela traduz exatamente a lógica do trecho: a riqueza do aprendizado depende da inclusão do outro como parte intrínseca do processo. O outro não é enfeite, nem visita opcional da aula; ele é condição para que o conhecimento se amplie, se confronte e se reconstrua. As demais alternativas escorregam em pontos importantes: algumas tratam a inclusão como favor, outras reduzem a educação ao aspecto cognitivo ou até sugerem exclusão. O texto vai na direção oposta: quanto mais espaço para o outro, mais humano e mais potente fica o ato de educar.