Leia o trecho a seguir. Pessoas com deficiência podem participar das várias esferas da sociedade, desde que se mostrem aptas a isso, por méritos próprios. Ou seja, sem exigir alterações nos ambientes e nas práticas de convivência social. Para tanto, são submetidas a avaliações médicas. Fonte: diversa.org.br Assinale a opção que indica corretamente o paradigma histórico relacionado às pessoas com deficiência ao qual o trecho se refere.
- A)Inclusão.
Errada, porque inclusão pressupõe adaptação do ambiente e eliminação de barreiras, e não a exigência de que a pessoa se adapte sozinha.
- B)Segregação.
Errada, porque segregação significa separação e afastamento em espaços próprios, não participação condicionada no mesmo espaço social.
- C)Capacitismo.
Errada, porque capacitismo é a discriminação baseada na ideia de inferioridade da deficiência, não um paradigma histórico de participação social.
- D)Exclusão.
Errada, porque exclusão impede ou restringe a participação social de forma mais radical, sem admitir a inserção condicionada descrita no enunciado.
- E)Integração.
Certa, porque a integração admite a participação da pessoa com deficiência desde que ela comprove aptidão e se adapte ao modelo social já existente.
Gabarito: E
A questão descreve um modelo em que a pessoa com deficiência até pode participar da sociedade, mas só depois de provar que "dá conta" por mérito próprio, sem que a sociedade precise mudar nada. Esse é exatamente o paradigma da integração: a pessoa é que precisa se adaptar ao ambiente existente, e não o contrário. Em outras palavras, a porta até abre, mas a rampa não aparece por mágica. No modelo da integração, a lógica é seletiva e condicionada. A inclusão, que é o paradigma mais atual, trabalha com a ideia oposta: eliminar barreiras, ajustar espaços, práticas e atitudes para que todos participem desde o início, com igualdade de oportunidades. O trecho também menciona avaliações médicas como filtro de acesso, o que combina com visões mais antigas e restritivas, em que a deficiência era vista pelo déficit individual. Na integração, a participação é possível, mas sob a condição de a pessoa demonstrar aptidão, geralmente em contexto educacional ou social pouco adaptado. Por isso, o gabarito é a letra E. A doutrina sobre educação inclusiva costuma contrapor integração e inclusão justamente nesse ponto: integração aceita o sujeito, desde que ele se ajuste; inclusão ajusta o sistema para receber todos. No plano normativo, a Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) reforça o modelo inclusivo ao vedar barreiras e discriminações, deixando a integração como etapa histórica anterior.