Deste modo, propomos cinco critérios que permitem analisar as situações concretas para determinar em que elas concernem ou não ao jogo: a presença de um grau secundário de linguagem, a decisão (de jogar e no jogo), a regra (sob diferentes formas), a incerteza e a frivolidade. (...) Este é o paradoxo do jogo, espaço de aprendizagem cultural fabuloso e incerto, às vezes aberto, mas também fechado em outras situações: sua indeterminação é seu interesse e, ao mesmo tempo, seu limite. Com efeito, ele testemunha a aventura, a invenção do possível do qual é o lugar potencial de emergência. BROUGERE, Gilles. Jogo e eduação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998, p. 194. Considerando o jogo como uma estratégia pedagógica, assinale a opção que não expressa uma de suas finalidades diretas.
- A)O desenvolvimento da sociabilidade através da interação.
Certa, porque o jogo favorece a interação e amplia a sociabilidade da criança nas relações com os colegas.
- B)O estímulo à superação de obstáculos.
Certa, porque o jogo coloca desafios e estimula a criança a tentar, errar, ajustar estratégias e superar obstáculos.
- C)A conquista de um maior engajamento em relação à aula.
Certa, porque atividades lúdicas costumam aumentar o interesse e o envolvimento da criança com a proposta da aula.
- D)O incentivo à capacidade de superar desafios.
Certa, porque o jogo desenvolve persistência, resolução de problemas e enfrentamento de desafios.
- E)O cultivo da produtividade para o mundo do trabalho.
Errada, porque a produtividade para o mundo do trabalho não é finalidade direta do jogo na Educação Infantil.
Gabarito: E
O jogo, na Educação Infantil, é uma estratégia pedagógica muito valiosa porque mobiliza a criança de forma ativa, prazerosa e simbólica. Ele ajuda no desenvolvimento da socialização, da linguagem, da autonomia, da atenção e da capacidade de lidar com regras e desafios. Em outras palavras: brincar não é “perda de tempo”, é um jeito inteligente de aprender. Gilles Brougère destaca que o jogo tem características como decisão, regra, incerteza e frivolidade, o que mostra que ele cria um espaço próprio de aprendizagem cultural. Por isso, quando o professor propõe jogos, ele pode favorecer o engajamento da turma, a interação entre pares e a superação de obstáculos, sempre com sentido pedagógico. Mas nem toda finalidade é direta. O foco do jogo na escola não é preparar a criança para a lógica produtiva do mundo do trabalho, porque isso deslocaria o brincar para uma função utilitarista e adultocêntrica. Na Educação Infantil, o centro deve ser a formação integral da criança, como orienta a LDB (Lei 9.394/1996) e a BNCC, que valorizam interações e brincadeiras como eixos estruturantes dessa etapa. Assim, o gabarito é a alternativa E, pois ela atribui ao jogo uma finalidade que não é direta na proposta pedagógica da Educação Infantil. O jogo pode até desenvolver competências amplas, mas não tem como objetivo principal o cultivo da produtividade para o trabalho.