O senso comum pedagógico manifesta um entendimento idealista do que seja o conhecimento. É como se o conhecimento não tivesse história e não contivesse acertos e erros. O que se diz é assumido, como se sempre tivesse sido assim. No entanto, o conhecimento tem história, está eivado de desvios por interesses de uns ou de outros. Nasceu e continua nascendo de um determinado momento no tempo e terá uma duração. LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da educação. São Paulo: Cortez, 2021, p. 128 (adaptado). Contrariando essa posição idealista descrita no início do texto acima, e assumindo uma perspectiva crítica, na contramão do senso comum pedagógico, pode-se inferir que o conhecimento
- A)possui uma natureza fundamentada.
Errada, porque o texto não destaca uma natureza “fundamentada”, mas sim a historicidade e a mudança do conhecimento.
- B)é de natureza ilógica.
Errada, porque a crítica ao senso comum não afirma que o conhecimento seja ilógico; ao contrário, ele é produzido de forma histórica e racional.
- C)fundamenta-se cientificamente.
Errada, porque embora o conhecimento possa ter base científica em muitos casos, o ponto central do texto é seu caráter histórico e processual.
- D)tem um caráter processual.
Certa, porque o texto afirma que o conhecimento nasce em um contexto, sofre desvios, acertos e erros, e se desenvolve ao longo do tempo.
- E)fundamenta-se em certezas.
Errada, porque o enunciado combate justamente a ideia de conhecimento como verdade fixa e segura desde sempre.
Gabarito: D
A questão contrasta dois jeitos de enxergar o conhecimento. No senso comum pedagógico, ele aparece como algo pronto, neutro, quase “caído do céu”, sem história e sem disputa. Já a perspectiva crítica lembra que o conhecimento é produzido socialmente, em contextos concretos, atravessado por interesses, erros, correções e mudanças ao longo do tempo. Em outras palavras: conhecer não é congelar a realidade, mas construir explicações que podem ser revistas. É por isso que o gabarito é a alternativa D. Se o conhecimento nasce em determinado momento histórico, sofre influências e pode se transformar, então ele tem caráter processual. Processual aqui quer dizer justamente isso: não é uma foto parada, é um filme em andamento. Hoje sabemos algo de um jeito, amanhã esse saber pode ser ampliado, corrigido ou até superado. Essa visão é típica de abordagens críticas da Filosofia da Educação, como as que recusam a ideia de verdade pedagógica eterna e intocável. Autores como Luckesi, no trecho citado, chamam atenção para o fato de que o saber é histórico e situado, o que combina com a noção de construção contínua do conhecimento. Então, quando a banca pede a inferência contrária ao idealismo do senso comum, você deve pensar em movimento, historicidade e transformação. Se o conhecimento tem história, ele também tem percurso. E percurso, em concurso, costuma ser a pista mais segura para o conceito de processo.