Documentos como os Relatórios da Comissão Meira-Matos e do Grupo de Trabalho da Reforma Universitária, o Plano Atcon e os famigerados Acordos MEC/Usaid foram usados por personagens protagonistas desse processo. A exclusão da Filosofia do rol das disciplinas obrigatórias do 2° grau, assim como a inclusão da Educação Moral e Cívica (nomeada Organização Social e Política Brasileira no 3° grau), paralelamente ao caráter disciplinador da Educação Física, entendida como uma atividade irreflexiva, não devem ser vistas como medidas aleatórias desse período. BIOTO-CAVALCANTI, Patricia Ap. TEIXEIRA, Rosiley A. História da Educação Brasileira. Jundiaí, Paco editorial: 2013, p. 103. O trecho acima faz menção à educação brasileira nos anos de ditadura civil-militar. Uma característica educacional do período é
- A)a submissão das diretrizes da escola ao mercado de trabalho.
Correta, porque a ditadura reforçou uma escola voltada à formação de mão de obra e à adequação ao mercado, com viés tecnicista.
- B)a ênfase na formação humanística da juventude.
Errada, pois o período reduziu o espaço da formação crítica e humanística, especialmente com a retirada ou enfraquecimento de disciplinas reflexivas.
- C)a prioridade na transmissão de conteúdos de cunho religioso.
Errada, porque o eixo da política educacional do regime não foi religioso, mas sim tecnicista e ideológico.
- D)o privilégio do ensino público em detrimento do privado.
Errada, já que houve incentivo à expansão do setor privado e à lógica de mercado, e não privilégio do ensino público.
- E)a sofisticação da qualidade educacional para as camadas pobres.
Errada, porque a educação destinada às camadas populares foi marcada mais por controle e adaptação do que por verdadeira sofisticação qualitativa.
Gabarito: A
A educação brasileira na ditadura civil-militar foi fortemente marcada por uma lógica tecnicista. Em vez de priorizar uma formação crítica e humanista, o foco passou a ser a adaptação da escola às necessidades do modelo econômico e do mercado de trabalho. Era a ideia de formar mão de obra mais “eficiente” e menos questionadora, o que combina bem com o clima político autoritário do período. Nesse contexto, documentos como os Acordos MEC/Usaid, o Plano Atcon e relatórios ligados à reforma universitária ajudaram a redesenhar o sistema educacional com forte influência da racionalidade empresarial. A escola foi tratada como espaço de produtividade e controle, e não como lugar de emancipação intelectual. Por isso, disciplinas como Filosofia foram esvaziadas ou retiradas do núcleo obrigatório, enquanto matérias como Educação Moral e Cívica e OSPB reforçavam a disciplina social e política. A alternativa correta é a letra A porque resume justamente essa submissão das diretrizes escolares ao mercado de trabalho. Isso é marca típica da pedagogia tecnicista: eficiência, produtividade, formação de recursos humanos e adequação da escola às demandas econômicas. Em resumo, o aluno era pensado mais como futuro trabalhador do que como sujeito crítico. As demais alternativas destoam do período: não houve valorização da formação humanística, nem prioridade religiosa, nem defesa do ensino público acima do privado. Ao contrário, o período ampliou a lógica de privatização e de alinhamento da educação aos interesses do desenvolvimento econômico autoritário.