Não é mais aceitável conviver com uma escola onde os alunos, ao entrarem, “pendurem” no cabide imaginário das convenções protocolares sua auto-estima e sua alegria em se conhecer, suas mágoas e suas frustrações. ANTUNES, Celso. Novas maneiras de ensinar, novas formas de aprender. Porto Alegre: Artmed, 2002, p. 62. O trecho acima adverte para a necessidade de se desenvolver na escola as capacidades
- A)cognoscitivas.
Errada, porque capacidades cognoscitivas dizem respeito ao pensar, compreender e memorizar, e o texto destaca sentimentos e autoestima.
- B)motoras.
Errada, porque o trecho não trata de habilidades corporais ou de coordenação motora.
- C)emocionais.
Certa, pois o enunciado fala diretamente de autoestima, alegria, mágoas e frustrações, que são dimensões emocionais.
- D)sociais.
Errada, porque a convivência social aparece de forma indireta, mas o núcleo da ideia é o cuidado com o lado emocional do aluno.
- E)morais.
Errada, porque o texto não discute juízo moral, valores ou formação ética, e sim acolhimento afetivo.
Gabarito: C
A questão traz uma ideia muito importante da pedagogia contemporânea: a escola não pode tratar o aluno como se ele fosse apenas uma cabeça para aprender conteúdos. Quando Celso Antunes fala em não deixar a autoestima, a alegria de se conhecer, as mágoas e frustrações do lado de fora, ele chama atenção para a dimensão afetiva do processo educativo. Na prática, isso significa reconhecer que aprender envolve sentimento, vínculo, motivação, acolhimento e segurança emocional. Um estudante que se sente humilhado, invisível ou inseguro tende a aprender menos, porque emoção e cognição caminham juntas. Por isso, a escola precisa desenvolver capacidades que ajudem o aluno a lidar com sentimentos, relações e a própria imagem de si. O gabarito é a letra C porque o texto aponta diretamente para as capacidades emocionais. O foco não está em memória, coordenação motora, moralidade ou convivência social em sentido estrito, mas sim no mundo interno do estudante: autoestima, alegria, frustrações e mágoas. É a velha lição de que ninguém aprende bem quando está emocionalmente bloqueado. Esse entendimento conversa com abordagens pedagógicas que valorizam a formação integral do aluno e com documentos educacionais que defendem o desenvolvimento pleno da pessoa, como a LDB (Lei 9.394/1996), ao tratar da educação voltada ao desenvolvimento do educando em vários aspectos, e a BNCC, que destaca competências socioemocionais e o cuidado com a aprendizagem em sentido amplo.