Para Lima (2014), a gestão democrática da organização escolar está organizada no tripé: eleição – colegialidade – participação. A esse respeito, assinale a opção que sintetiza a perspectiva do autor
- A)A colegialidade e a participação sustentam a escola democrática somente no processo de escolha dos diretores.
Errada, porque reduz a colegialidade e a participação ao momento de escolha do diretor, quando o tripé democrático vai muito além dessa etapa.
- B)Eleição e participação estão articuladas para a decisão dos eventos que serão realizados na instituição escolar.
Errada, porque limita a participação e a eleição apenas à decisão de eventos escolares, o que empobrece bastante a noção de gestão democrática.
- C)Sem a participação da comunidade, intra e extra-escolar, a eleição e a colegialidade configuram-se como dimensões esvaziadas, pois a participação atribui às demais o sentido de poder decisório, na possibilidade de ampliação da democracia da organização social escolar.
Certa, porque mostra que eleição e colegialidade sem participação da comunidade ficam esvaziadas e que a participação é o que dá sentido democrático às demais dimensões.
- D)A eleição dos representantes é o indicador de uma escola democrática e as demais dimensões decorrem da primeira.
Errada, porque trata a eleição como eixo principal e faz as demais dimensões dependerem dela, invertendo a lógica do autor.
- E)A colegialidade diz respeito às comunidades intra-escolares que poderão participar, quando possível, da eleição dos diretores escolares.
Errada, porque restringe a colegialidade à participação eventual de comunidades intraescolares na escolha da direção, distorcendo o sentido mais amplo do conceito.
Gabarito: C
Para Lima (2014), gestão democrática na escola não é só colocar urna na sala dos professores e achar que virou democracia. A ideia do autor está no tripé eleição - colegialidade - participação, em que esses elementos se apoiam mutuamente para produzir decisão coletiva e ampliar o poder de influência da comunidade escolar. A eleição, sozinha, apenas escolhe representantes. A colegialidade organiza a tomada de decisão em grupo, mas pode ficar vazia se o grupo não estiver ligado à vida real da escola. Já a participação é o que dá sentido aos dois outros pontos, porque envolve comunidade intra e extraescolar, com voz ativa nos rumos da instituição. Por isso, o gabarito é a letra C: sem participação efetiva, eleição e colegialidade viram mecanismos formais, bonitos no papel, mas sem força democrática de verdade. A participação é o que transforma a organização escolar em espaço de poder compartilhado e de ampliação da democracia. Em linguagem de concurso: não basta escolher representantes, é preciso que eles decidam com base na participação da comunidade. É esse encadeamento que expressa a perspectiva de Lima.