Lopes e Macedo (2011) afirmam que desplanejar não significa agir sem planejar, mas agir segundo um planejamento que, no mesmo ato, é desmontado. Sobre o ato de planejar e de desplanejar, assinale a afirmativa correta.
- A)A sequência didática estabelecida no ato de planejar é realizada pelo professor no momento em que a aula é ministrada.
Errada, porque o planejamento não se esgota na execução linear da sequência didática; ele deve ser flexível e aberto a ajustes durante a aula.
- B)O ato de desplanejar mantém relação com a compreensão de que o conhecimento não é estático. Os educandos são sujeitos ativos do saber, em oposição tanto à ideia de que os indivíduos são considerados como tábula rasa, quanto à de que a capacidade de pensar provém, exclusivamente, dos professores.
Certa, pois relaciona o desplanejar à ideia de conhecimento construído pelos sujeitos e não a uma visão estática, passiva ou centrada só no professor.
- C)O ato de desplantar tem a finalidade de estabelecer novas metas de aprendizagem levando em consideração a eficiência e a eficácia do trabalho docente e não a aprendizagem dos educandos.
Errada, porque atribui ao processo um foco gerencial e produtivista, desviando a atenção da aprendizagem dos educandos.
- D)É uma função obrigatória do docente: planejar para desplanejar.
Errada, porque planejar e desplanejar não são uma obrigação mecânica, mas movimentos pedagógicos que podem ocorrer conforme as necessidades da prática.
- E)A formação do professor perde o sentido no cotidiano escolar, momento em que a prática é totalmente desvinculada da teoria.
Errada, pois a formação docente não perde sentido no cotidiano; ao contrário, a prática deve articular teoria e ação pedagógica o tempo todo.
Gabarito: B
Planejar, na escola, não é fazer um roteiro engessado para a aula seguir como trilho de trem. É organizar objetivos, conteúdos, estratégias e avaliações, mas sabendo que a prática real é viva, cheia de imprevistos, perguntas inesperadas e contribuições dos estudantes. Por isso, o planejamento não pode ser tratado como um documento sagrado que manda em tudo: ele precisa dialogar com a turma e com a situação concreta da sala de aula. É exatamente nesse ponto que entra a ideia de desplanejar, usada por Lopes e Macedo. Eles defendem que desplanejar não é agir no improviso absoluto, nem abandonar qualquer organização. É agir a partir de um planejamento que, no próprio ato de ensinar, pode ser revisto, desmontado e reconstruído conforme a aprendizagem acontece. Ou seja, o professor planeja, mas também sabe escutar, ajustar e até mudar a rota quando necessário. O gabarito é a letra B porque ela conversa com essa visão de conhecimento como construção dinâmica. Se o saber não é estático, o aluno não pode ser visto como uma folha em branco, nem o professor como dono exclusivo do pensamento. O estudante participa ativamente da produção do conhecimento, e isso exige um planejamento flexível, aberto ao inesperado e ao diálogo pedagógico. As demais alternativas erram ao tratar o planejamento como algo rígido, mecânico ou separado da formação do aluno. Na prática docente, planejar e replanejar fazem parte do mesmo movimento: ensinar bem é também saber refazer o caminho quando a realidade da sala pede. Não existe aula viva com roteiro de pedra.