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Pedagogia · FGV · 2024

Questão comentada de Pedagogia

“Neutra, ‘indiferente’ a qualquer destas hipóteses, a da reprodução da ideologia dominante ou a de sua contestação, a educação jamais foi, é, ou pode ser. É um erro decretá-la como tarefa apenas reprodutora da ideologia dominante como erro é tomá-la como uma força de desocultação da realidade, a atuar livremente, sem obstáculos e duras dificuldades.” FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 2011. No trecho acima, a educação é caracterizada como:

Gabarito: E

Paulo Freire rejeita duas ideias simplistas sobre a educação: a de que ela seria apenas um espelho da ideologia dominante e a de que ela, sozinha, mudaria tudo magicamente. Para ele, a educação acontece dentro de relações sociais concretas, então ela nunca fica parada no meio do caminho: ao mesmo tempo em que pode conservar visões e práticas já existentes, também pode abrir espaço para crítica, consciência e mudança. Por isso, a chave do trecho é entender a educação como um processo dialético. Dialético aqui significa justamente isso: ela não é neutra nem pura reprodução, nem pura revolução instantânea. Ela atua em tensão com a realidade, podendo tanto reforçar quanto questionar a ordem social, dependendo das condições históricas, do projeto pedagógico e da prática docente. Esse raciocínio é muito coerente com a pedagogia crítica de Freire, especialmente em obras como Pedagogia do Oprimido e Pedagogia da Autonomia. A educação, para ele, é prática social, histórica e política. Não é uma máquina automática de libertação, mas também não é uma sentença de servidão eterna. Ela participa da conservação de certos valores e, ao mesmo tempo, pode produzir transformação. Então o gabarito E está correto porque traduz essa dupla dimensão: conservar e transformar. A banca quer que você perceba que Freire foge dos extremos e aposta numa visão mais realista e crítica da educação, sem ingenuidade e sem fatalismo.

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