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Pedagogia · FGV · 2024

Questão comentada de Pedagogia

Lima (2021) acredita na transmutação da autoridade racional-legal (autoridade baseada em ordenamentos) para a autoridade racional-informacional no mundo servido pelas tecnologias da informação e da comunicação com seus respetivos instrumentos de controle e de vigilância de tipo digital. De acordo com o autor, a necessidade de estudar as novas formas de dominação digital das organizações e da administração da educação, mantém relação com uma burocracia aumentada do tipo da crítica weberiana. Avalie se, para a prática pedagógica, essa conversão pode significar I. problemas de desumanização, como observado por Max Weber (1964), relativamente à dominação burocrática e a eliminação dos elementos sensíveis pessoais, que se subtraem ao cálculo. II. a racionalização da aprendizagem, garantida a sua qualidade e performatividade, exclusivamente, pelas avaliações formais, traduzidas em números. III. o aumento da participação dos alunos no processo ensino-aprendizagem, potencializando a democracia na sala de aula e na escola. Está correto o que se afirma em

Gabarito: B

A questão mistura burocracia weberiana com o impacto das tecnologias digitais na gestão educacional. Em Max Weber, a burocracia é marcada por regras, hierarquia, impessoalidade e controle por procedimentos. Quando Lima fala em passagem para uma autoridade racional-informacional, a ideia é que o controle deixa de depender apenas do regulamento escrito e passa a ser reforçado por dados, sistemas, plataformas e monitoramento digital. Isso pode aumentar a lógica de vigilância e de padronização, o que combina com a crítica à burocracia ampliada. Por isso, a afirmativa I está correta: esse tipo de organização pode gerar desumanização, com menos espaço para relações pessoais e mais peso para o cálculo, a norma e o controle. Já a afirmativa II também está correta, porque essa racionalidade tende a transformar a aprendizagem em algo medido por indicadores, avaliações formais e números, como se a qualidade pudesse ser resumida em performance mensurável. A banca adora esse tipo de visão gerencial da educação, com cara de planilha, relatórios e metas. A afirmativa III está errada, porque esse movimento não aponta para mais participação democrática dos alunos, mas para mais controle, vigilância e centralização do processo. Em vez de ampliar a autonomia, ele costuma reforçar a lógica de monitoramento e de desempenho. Assim, o gabarito B é o correto: I e II apenas. Como pano de fundo, vale lembrar a crítica clássica de Weber à dominação burocrática e, em educação, as leituras sobre gerencialismo e accountability, que aproximam a escola de uma lógica de eficiência mensurável.

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