Lima (2021) acredita na transmutação da autoridade racional-legal (autoridade baseada em ordenamentos) para a autoridade racional-informacional no mundo servido pelas tecnologias da informação e da comunicação com seus respetivos instrumentos de controle e de vigilância de tipo digital. De acordo com o autor, a necessidade de estudar as novas formas de dominação digital das organizações e da administração da educação, mantém relação com uma burocracia aumentada do tipo da crítica weberiana. Avalie se, para a prática pedagógica, essa conversão pode significar I. problemas de desumanização, como observado por Max Weber (1964), relativamente à dominação burocrática e a eliminação dos elementos sensíveis pessoais, que se subtraem ao cálculo. II. a racionalização da aprendizagem, garantida a sua qualidade e performatividade, exclusivamente, pelas avaliações formais, traduzidas em números. III. o aumento da participação dos alunos no processo ensino-aprendizagem, potencializando a democracia na sala de aula e na escola. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
A alternativa restringe o efeito da conversão à desumanização burocrática descrita por Weber, isto é, à perda dos elementos pessoais e sensíveis em favor do cálculo e do controle. Esse ponto é verdadeiro, mas a formulação fica incompleta porque o enunciado também aponta a redução da aprendizagem a métricas e avaliações formais, o que aparece na afirmativa II. Por isso, não basta marcar apenas I.
- B)I e II, apenas.
A alternativa reúne as duas consequências que melhor traduzem a passagem para a autoridade racional-informacional. A afirmativa I é compatível com a crítica weberiana à burocracia, que tende a despersonalizar relações e a submeter pessoas a regras e procedimentos calculáveis; a II também procede porque a lógica digital reforça a mensuração da aprendizagem por avaliações formais, indicadores e números. Assim, o conjunto I e II expressa adequadamente o diagnóstico do enunciado.
- C)II, apenas.
Aqui se afirma que somente a racionalização da aprendizagem por avaliações numéricas seria uma consequência dessa conversão. Esse conteúdo existe no texto, porque a lógica de controle digital favorece performatividade, métricas e classificação, mas a alternativa erra ao excluir a afirmativa I. A desumanização burocrática também decorre dessa transição, então a resposta não pode ficar limitada a II.
- D)I, II e III.
A alternativa soma as três afirmativas, incluindo a ideia de que a conversão aumentaria a participação dos alunos e a democracia na escola. Esse terceiro ponto contraria o sentido do enunciado, porque a autoridade racional-informacional e os mecanismos digitais de vigilância tendem a concentrar controle, padronizar condutas e ampliar monitoramento, não a distribuir poder decisório. Como III não se sustenta, a combinação das três não se mantém.
- E)III, apenas.
A alternativa sustenta que apenas o aumento da participação discente e da democracia escolar seria o efeito da conversão descrita. Isso não procede, porque a lógica apresentada no texto caminha no sentido oposto: mais controle, mais vigilância e mais padronização, e não maior autonomia dos alunos. Além disso, as afirmativas I e II também são compatíveis com o diagnóstico de burocratização e dataficação da educação.
Gabarito: B
A questão mistura burocracia weberiana com o impacto das tecnologias digitais na gestão educacional. Em Max Weber, a burocracia é marcada por regras, hierarquia, impessoalidade e controle por procedimentos. Quando Lima fala em passagem para uma autoridade racional-informacional, a ideia é que o controle deixa de depender apenas do regulamento escrito e passa a ser reforçado por dados, sistemas, plataformas e monitoramento digital. Isso pode aumentar a lógica de vigilância e de padronização, o que combina com a crítica à burocracia ampliada. Por isso, a afirmativa I está correta: esse tipo de organização pode gerar desumanização, com menos espaço para relações pessoais e mais peso para o cálculo, a norma e o controle. Já a afirmativa II também está correta, porque essa racionalidade tende a transformar a aprendizagem em algo medido por indicadores, avaliações formais e números, como se a qualidade pudesse ser resumida em performance mensurável. A banca adora esse tipo de visão gerencial da educação, com cara de planilha, relatórios e metas. A afirmativa III está errada, porque esse movimento não aponta para mais participação democrática dos alunos, mas para mais controle, vigilância e centralização do processo. Em vez de ampliar a autonomia, ele costuma reforçar a lógica de monitoramento e de desempenho. Assim, o gabarito B é o correto: I e II apenas. Como pano de fundo, vale lembrar a crítica clássica de Weber à dominação burocrática e, em educação, as leituras sobre gerencialismo e accountability, que aproximam a escola de uma lógica de eficiência mensurável.