Paulo Freire, em Pedagogia da Autonomia, afirma que “ensinar, aprender e pesquisar lidam com dois momentos do ciclo gnosiológico: o em que se ensina e se aprende o conhecimento já existente e o em que se trabalha a produção do conhecimento ainda não existente”. Com base na afirmação de Freire (2019), há elementos indicotomizáveis que são práticas requeridas por esses momentos do ciclo gnosiológico. São eles:
- A)a dodiscência e a pesquisa;
Certa, porque em Freire o ensinar e o aprender formam a dodiscência e se articulam com a pesquisa no ciclo gnosiológico.
- B)a realidade e a pesquisa;
Errada, porque a realidade é o objeto da investigação, mas não é um dos elementos indicotomizáveis pedidos na afirmação.
- C)a gnosiologia e o ensino;
Errada, porque gnosiologia é o estudo do conhecimento, não a dupla de práticas requerida por Freire no trecho.
- D)o saber e a aprendizagem;
Errada, porque saber e aprendizagem são resultados ou dimensões do processo, e não a formulação específica destacada por Freire.
- E)a liberdade e a investigação.
Errada, porque liberdade e investigação podem aparecer na obra de Freire, mas não correspondem ao par conceitual cobrado pela questão.
Gabarito: A
Paulo Freire, em Pedagogia da Autonomia, trata ensinar, aprender e pesquisar como ações que caminham juntas no processo de construção do conhecimento. Para ele, não existe ensino verdadeiro sem curiosidade, sem investigação e sem a participação ativa de quem aprende. O professor não “deposita” conteúdo: ele problematiza, escuta, dialoga e pesquisa com os estudantes. É por isso que Freire fala em elementos indicotomizáveis, isto é, que não devem ser separados como se fossem coisas isoladas. Nesse ciclo gnosiológico, ensinar e aprender formam uma relação viva, chamada por ele de dodiscência, e a pesquisa aparece como prática indispensável para produzir conhecimento novo e também compreender o saber já existente. Assim, o gabarito A está correto porque reúne exatamente essas práticas inseparáveis no pensamento freireano: a dodiscência e a pesquisa. A ideia central é que quem ensina também aprende, e quem aprende também ensina, num movimento permanente de investigação da realidade. Se você lembrar que, em Freire, educação não combina com passividade, já está no caminho certo. O conhecimento nasce do diálogo, da curiosidade e da busca crítica, não de uma aula em “modo monólogo”.