Na abertura de um evento sobre Pedagogia Jurídica, o palestrante reforçou que, dentre as tarefas desempenhadas pelo pedagogo que atua nesse campo, o trabalho com menores de idade que se encontram em cumprimento de medidas socioeducativas merece atenção especial devido à complexidade que a situação envolve. Por esse motivo, destacou que, ao planejar as atividades que serão desenvolvidas com os jovens e as crianças que se encontram nessa situação, é preciso considerar que planejar e executar são ações:
- A)democráticas e participativas;
Correta: planejar e executar, nesse contexto, devem ocorrer com diálogo, corresponsabilidade e participação dos sujeitos envolvidos.
- B)reflexivas e descontínuas;
Errada: o trabalho pedagógico não é descontínuo, porque exige planejamento articulado e acompanhamento permanente.
- C)individuais e delimitadas;
Errada: a atuação não é individual e delimitada, pois depende de ação integrada, coletiva e adaptada à realidade do atendimento.
- D)impostas e interativas;
Errada: ações impostas contrariam a lógica socioeducativa, que pede construção conjunta e não mera imposição.
- E)casuais e unilaterais
Errada: atividades casuais e unilaterais não combinam com o caráter intencional, planejado e participativo da pedagogia nesse campo.
Gabarito: A
Quando a questão fala em pedagogia jurídica e em medidas socioeducativas, ela está apontando para um trabalho que não pode ser improvisado nem autoritário. O pedagogo, nesse contexto, atua com adolescentes e crianças em situação de conflito com a lei, o que exige escuta, planejamento responsável e atuação articulada com a equipe e com a realidade do atendido. A ideia é construir ações que façam sentido para aquele sujeito, e não simplesmente “aplicar atividades” como se todo mundo fosse igual. Por isso, planejar e executar, nesse campo, precisam ser ações democráticas e participativas. Democráticas porque consideram o sujeito como parte do processo, e participativas porque envolvem diálogo, corresponsabilização e construção conjunta das práticas educativas. Isso combina com a lógica socioeducativa prevista no ECA e no SINASE, que valorizam a formação integral, o respeito à condição peculiar de desenvolvimento e o trabalho educativo voltado à reintegração social. Na prática, isso significa que o pedagogo não atua como quem apenas manda e a turma obedece. Ele observa, escuta, ajusta o planejamento e executa as atividades com base na realidade concreta do grupo. Em medidas socioeducativas, a relação pedagógica precisa ser intencional, acolhedora e crítica, porque o objetivo não é punir pedagogicamente, e sim educar com responsabilidade social. Assim, o gabarito A está correto porque traduz exatamente essa lógica de participação, diálogo e construção coletiva. As demais alternativas tentam empurrar a ideia para um campo de improviso, isolamento ou imposição, que não combina com a pedagogia jurídica nem com a proposta socioeducativa.