Sobre a ideia de organização, prévia ou não, de experiências, situações de aprendizagem realizadas por docentes, redes de ensino de forma de levar a cabo um processo educativo (LOPES, MACEDO, 2011, p.19) está o que tem sido denominado currículo. Para Silva (2001), as teorias curriculares permitem questionar, ora se complementam e são necessárias para pensarmos nos rumos da educação e nas relações sociais, de modo geral. Sobre as Teorias Tradicionais de Currículo, As Teorias Críticas e Teorias Pós-críticas avalie as afirmativas a seguir. I. Teoria tradicional: o saber, expresso no currículo tradicional, está ligado à situação existencial das pessoas envolvidas no ato de conhecer, portanto o papel de uma educação consciente é adaptar os indivíduos de forma participativa à sociedade. II. Teorias Críticas: problematizaram o que é considerado conhecimento escolar, entendendo que a seleção de conteúdos consiste no resultado de um processo envolvendo conflitos e disputas e relações de poder. III. Teorias Pós-Críticas: articulam-se às Teorias Críticas ressignificando as relações saber-poder que operam via conhecimento escolar, pois os sujeitos que fixam sentidos de conhecimento escolar têm valor posicional e contingente. Um posicionamento teórico que questiona a ideia de uma modernidade, na qual os sujeitos, as relações e as instituições são percebidos de formas essencializadas e engessadas, passando a operar com a dinâmica de uma sociedade que desestabiliza os sentidos de verdade sobre sujeitos e “coisas deste mundo” até então hegemônicos. Está correto o que se afirma em
- A)I e II, apenas.
A alternativa reúne as afirmativas I e II. A I atribui ao currículo tradicional uma ideia de conscientização ligada à situação existencial dos sujeitos e de adaptação participativa à sociedade, o que não corresponde às teorias tradicionais, mais associadas à transmissão técnica de conteúdos, à eficiência e à adequação ao modelo social vigente. Já a II descreve corretamente a abordagem crítica, ao tratar o conhecimento escolar como resultado de disputas, seleções e relações de poder.
- B)II, apenas.
Aqui se afirma apenas a proposição II. Ela está bem formulada ao dizer que o currículo não é neutro e que a escolha dos conteúdos envolve conflito, ideologia e poder, como destacam as teorias críticas do currículo. O problema é que a III também está correta, então a alternativa fica incompleta por excluir uma assertiva verdadeira.
- C)II e III, apenas.
A alternativa contempla as afirmativas II e III, que são as duas compatíveis com a teoria curricular contemporânea. A II corresponde à visão crítica do currículo como espaço de seleção cultural atravessado por poder, e a III expressa a perspectiva pós-crítica, marcada pela contingência dos sentidos, pela desestabilização de verdades fixas e pela leitura pós-estrutural das relações saber-poder. Como a I está incorreta, esta é a combinação correta.
- D)III, apenas.
A alternativa apresenta somente a afirmativa III. Ela está certa ao caracterizar as teorias pós-críticas como uma leitura que questiona essências, identidades fixas e verdades universalizadas, tratando os sentidos do conhecimento como contingentes e disputados. Ainda assim, a resposta não pode ser apenas essa, porque a II também é verdadeira ao descrever o currículo como campo de conflitos e poder.
- E)I, II e III.
A alternativa soma I, II e III. O ponto decisivo contra ela é a I, porque a teoria tradicional não entende o saber curricular como ligado à situação existencial dos envolvidos nem como instrumento de educação consciente para participação social; isso se aproxima mais de perspectivas críticas ou emancipadoras. As assertivas II e III estão adequadas, mas a presença da I torna a combinação incorreta.
Gabarito: C
Currículo, em linhas simples, é a organização das experiências e situações de aprendizagem que a escola planeja para educar. Mas a forma de entender esse currículo muda bastante conforme a teoria adotada: a tradicional, a crítica e a pós-crítica enxergam a escola por lentes diferentes. Na teoria tradicional, o foco costuma estar em objetivos, conteúdos, eficiência e adaptação do aluno à ordem social já dada. Por isso, a afirmativa I erra ao dizer que o saber está ligado à situação existencial das pessoas e que a educação consciente adapta de forma participativa à sociedade - essa linguagem é muito mais próxima de abordagens críticas e emancipadoras do que da tradição curricular. Já as teorias críticas acertam em cheio quando mostram que o currículo não é neutro: a escolha do que vira conhecimento escolar envolve disputas, interesses e relações de poder. Ou seja, não é só uma lista inocente de conteúdos, e sim uma seleção que favorece certos grupos e visões de mundo. É exatamente o que a afirmativa II descreve. As teorias pós-críticas, por sua vez, ampliam esse debate e analisam currículo, identidade, diferença, cultura, gênero, raça e outros marcadores, questionando verdades fixas e essencialismos. A afirmativa III está correta porque fala justamente dessa ressignificação das relações saber-poder e da crítica à ideia de sujeitos e instituições como algo rígido e imutável. Por isso, o gabarito é C: apenas II e III estão certas.