O professor José Moran destaca que a pandemia da Covid-19 mostrou e ampliou a brutal desigualdade estrutural entre pobres e ricos, entre os que têm acesso e domínio do mundo digital e os que não o têm. Segundo Moran, as crises trazem consequências muito diferentes em todos os campos, porque as pessoas e as organizações reagem a elas de formas bastante diferentes. Para inovar e empreender, segue Moran, precisamos de ambientes de confiança, de respeito; ter gestores e docentes valorizados e escolas abertas para a comunidade e para o mundo. Com base nos argumentos do autor, avalie as afirmativas a seguir. I. Os modelos híbridos não se reduzem a misturar o presencial e o digital, mas a realizar todos os modos de integração possíveis. II. O que a neuroeducação e as ciências da aprendizagem confirmam é que todos podemos empreender, mudar nossa visão de mundo, aprender a experimentar mais, assumir novos desafios. III. Avançou na sociedade a percepção de que podemos aprender de múltiplas formas, em diferentes espaços físicos e digitais, síncronos e assíncronos; sozinhos, em grupos, em redes e com mentoria. Está correto o que se afirma em
- A)I e II, apenas.
Errada, porque a afirmativa III também está correta segundo a visão de Moran sobre aprendizagem em múltiplos espaços e formatos.
- B)I e III, apenas.
Errada, porque a afirmativa II também é compatível com o pensamento do autor sobre inovar, experimentar e aprender a empreender.
- C)II e III, apenas.
Errada, porque a afirmativa I também está correta ao tratar o híbrido como integração ampla, e não mera mistura de presencial com digital.
- D)III, apenas.
Errada, porque não é só a III que está certa: as afirmativas I e II também estão de acordo com Moran.
- E)I, II e III.
Certa, porque as três afirmativas expressam a concepção de Moran sobre híbrido, aprendizagem em rede e inovação educacional.
Gabarito: E
José Moran trabalha com a ideia de que a escola, depois da pandemia, não pode continuar pensando educação como algo preso à sala de aula e ao quadro. A crise escancarou desigualdades, mas também reforçou uma virada: aprender acontece em vários tempos, lugares e formatos, com o presencial, o digital e as combinações entre eles. Por isso, quando ele fala em modelos híbridos, não está pensando apenas em “meio a meio” entre aula presencial e online. A lógica é mais ampla: integrar espaços, tempos, ritmos, atividades, grupos, recursos digitais e acompanhamento humano de modo inteligente. Em outras palavras, o híbrido é uma arquitetura de aprendizagem, não só uma troca de ferramenta. A afirmativa II também combina com Moran porque ele defende uma visão de aprendizagem ligada à autonomia, à experimentação e ao desenvolvimento de competências para inovar e empreender. A ideia é que a escola ajude o estudante a mudar a forma de pensar, testar, criar e assumir desafios, e isso dialoga com contribuições da neuroeducação e das ciências da aprendizagem, que reforçam a plasticidade, a participação ativa e a aprendizagem significativa. A afirmativa III fecha o raciocínio porque traduz exatamente essa educação em rede: aprender em diferentes espaços físicos e digitais, de forma síncrona ou assíncrona, individualmente, em grupo ou com mentoria. Assim, as três assertivas estão coerentes com o pensamento do autor, e por isso o gabarito é a alternativa E.