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Pedagogia · FGV · 2024

Questão comentada de Pedagogia

O valor moral de uma ação não está na mera obediência às regras determinadas socialmente, mas sim no princípio inerente a cada ação. É comum nas situações em que a criança mente, agride, furta, desrespeita, não compartilha algo ou é mal-educada, que o adulto ensine-a a importância de não cometer tais atos. A questão é como o adulto o faz, pois, este processo irá interferir nas razões pelas quais as normas serão legitimadas. VINHA, Telma Pileggi e TOGNETTA, Luciene Regina Paulino. Construindo a autonomia moral na escola: os conflitos interpessoais e a aprendizagem dos valores. Rev. Diálogo Educ. [online]. 2009, vol.09, n.28. Adaptado. Acerca do debate teórico-político que envolve ética, acolhimento, aprendizagens e socialização, avalie se as afirmativas a seguir são verdadeiras (V) ou falsas (F). ( ) A criança nasce na anomia, isto é, há uma ausência total de regras. ( ) Na heteronomia, a criança já sabe que há coisas certas e erradas, mas são os adultos que as definem, isto é, as regras emanam dos mais velhos. ( ) O indivíduo que é autônomo segue regras morais que emergem dos sentimentos internos sem reciprocidade. A classificação correta, na ordem disposta, é

Gabarito: E

Essa questão cobra a teoria do desenvolvimento moral de Piaget, muito usada para explicar como a criança passa de uma moral guiada de fora para uma moral construída de dentro. Em linhas simples: no começo, a criança vive um momento de anomia, em que ainda não organiza regras morais de forma estável; depois vem a heteronomia, quando ela entende que existem regras, mas as vê como algo vindo da autoridade adulta; e, mais adiante, pode alcançar a autonomia, quando passa a compreender o sentido da regra e a importância da cooperação e da reciprocidade. Por isso, a primeira afirmativa está correta no sentido cobrado pela banca: a anomia é mesmo associada a uma ausência de regras ou, melhor dizendo, a uma ausência de consciência moral estruturada. A criança ainda não opera com normas internalizadas como um sujeito moral propriamente dito. A segunda afirmativa também está correta. Na heteronomia, a criança sabe que há certo e errado, mas tende a considerar que a regra vale porque o adulto mandou. Ou seja, a legitimidade da norma vem da autoridade, dos mais velhos, e não de uma reflexão autônoma sobre justiça ou cooperação. A terceira afirmativa é falsa. O indivíduo autônomo não segue regras por impulsos ou sentimentos internos soltos; ele age com base em princípios construídos na relação com o outro, com reciprocidade, respeito mútuo e compreensão da regra. É aí que mora o pulo do gato: autonomia não é fazer o que sente, é compreender por que a regra faz sentido para todos.

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