Leia o fragmento a seguir. As tecnologias digitais utilizadas em educação não provocaram ainda alterações radicais no processo de ensino-aprendizagem. Por mais que as escolas usem computadores e internet em suas aulas, estas continuam sendo seriadas, finitas no tempo, definidas no espaço restrito das salas de aula, ligadas a uma única disciplina e graduadas em níveis hierárquicos e lineares de aprofundamento dos conhecimentos em áreas específicas do saber. KENSKI, V. M. Educação e tecnologias: o novo ritmo da informação. Campinas, SP: Papirus Editora, 2007. (Adaptado) O trecho acima versa sobre o modo como as tecnologias digitais são geralmente utilizadas nas escolas. De acordo com ele, é correto afirmar que ainda há a necessidade de elas serem tomadas como
- A)recursos suplementares de auxílio no processo de ensino-aprendizagem.
Errada, porque reduz a tecnologia a um apoio complementar, sem alterar a estrutura tradicional do ensino.
- B)formas de redefinir a configuração tradicional do processo educacional.
Certa, pois expressa exatamente a ideia de usar as tecnologias para redefinir a organização tradicional do processo educacional.
- C)instrumentos lúdicos que podem tornar as aulas mais prazerosas.
Errada, porque enfatiza apenas o aspecto lúdico, que pode existir, mas não responde ao sentido pedagógico central do texto.
- D)substitutas do papel docente no acesso e na abordagem crítica das informações.
Errada, porque a tecnologia não deve substituir o professor, e sim apoiá-lo na mediação crítica do conhecimento.
Gabarito: B
O trecho de Kenski aponta uma crítica importante: usar tecnologia na escola não significa, por si só, mudar a lógica da escola. Se a aula continua presa ao modelo seriado, à disciplina isolada, ao tempo rígido e ao espaço fechado da sala, o computador vira só um acessório moderno em uma estrutura antiga. É como colocar motor novo em carro com direção travada: anda, mas não transforma o jeito de conduzir. Na visão da autora, as tecnologias digitais precisam ser pensadas como ferramentas para reorganizar o processo educativo, ampliando tempos, espaços, interações e formas de aprender. Isso conversa com uma abordagem de inovação pedagógica, em que a tecnologia não serve apenas para decorar a aula, mas para redefinir práticas, relações e percursos de aprendizagem. Por isso, o gabarito é a letra B. O enunciado não diz que a tecnologia deve só apoiar a aula tradicional, nem que deve apenas divertir ou substituir o professor. Ele sugere que, diante do modo como ela vem sendo usada, ainda há necessidade de tratá-la como algo capaz de transformar a configuração tradicional do ensino. Em termos bem diretos: tecnologia educacional não é enfeite, é possibilidade de mudança pedagógica. Quando bem integrada, ela favorece metodologias mais flexíveis, colaborativas e críticas, em sintonia com o pensamento de Kenski sobre o novo ritmo da informação e da aprendizagem.