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Pedagogia · FGV · 2023

Questão comentada de Pedagogia

É que, se os homens são estes seres da busca e se sua vocação ontológica é humanizar-se, podem, cedo ou tarde, perceber a contradição em que a “educação bancária” pretende mantê-los e engajar-se na luta por sua libertação. Um educador humanista, revolucionário, não há de esperar esta possibilidade. Sua ação, identificando- se, desde logo, com a dos educandos, deve orientar- se no sentido da humanização de ambos. Do pensar autêntico e não no sentido da doação, da entrega do saber. Sua ação deve estar infundida da profunda crença nos homens. Crença no seu poder criador. Isto tudo exige dele que seja um companheiro dos educandos, em suas relações com estes. A educação “bancária”, em cuja prática se dá a inconciliação educador-educandos, rechaça este companheirismo. E é lógico que seja assim. No momento em que o educador “bancário” vivesse a superação da contradição já não ser ia “bancário”. Já não faria depósitos. Já não tentar ia domesticar. Já não prescrever ia. Saber com os educandos, enquanto estes soubessem com ele, ser ia sua tarefa. Já não estar ia a serviço da desumanização. A serviço da opressão, mas a serviço da libertação. FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987, p. 36 e 37 Assinale a opção que indica corretamente a tendência pedagógica à qual o texto se refere.

Gabarito: D

O texto é de Paulo Freire e traz a crítica clássica à chamada "educação bancária", isto é, aquela em que o professor deposita conhecimentos no aluno, como se o educando fosse um recipiente vazio. Em vez de diálogo, problematização e construção conjunta do saber, há passividade, adaptação e manutenção da opressão. Freire defende exatamente o contrário: uma educação voltada para a humanização, a autonomia e a libertação dos sujeitos. Isso aponta para a tendência pedagógica progressista libertadora. Nela, o ensino parte da realidade do educando, valoriza a consciência crítica e o diálogo entre educador e educandos. O professor não é dono absoluto do saber, mas um mediador que aprende com os alunos enquanto ensina. É a pedagogia que quer provocar leitura crítica do mundo, e não só decorar conteúdo para a prova da vida. Por isso o gabarito é a letra D. O trecho fala em companheirismo, saber com os educandos, crença no poder criador dos homens e superação da opressão, todos elementos centrais de Paulo Freire. Na prática, a banca quer que você reconheça o vocabulário freireano: humanização, conscientização, diálogo e libertação. Como referência doutrinária, vale lembrar que a obra Pedagogia do Oprimido é o texto mais associado a essa tendência. Em concursos, quando aparecer crítica à transmissão mecânica do conhecimento e defesa do diálogo emancipador, pense imediatamente em Freire.

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